terça-feira, 28 de setembro de 2010

Guitarra triste, poema cantado por ....

Hoje deixo um poema de um fado de Kátia Guerreiro, e uma a pintura extremamente expressiva e sensual de Juarez Machado, ambos muito bonitos ...

Para todas as mulheres que merecem ser felizes ...

Ninguem consegue
por mais forte que seja
alcançar o que deseja
seja qual for a ambição
se não tiver
dando forma ao seu valor
uma promessa d'amor
que alimente uma ilusão
.
refrão
.
Uma mulher
é como uma guitarra
não é qualquer
que abraça e a faz vibrar
mas quem souber
o modo como a agarrar
prende-lhe a alma
nas mãos que a sabem tocar
por tal razão
se engana facilmente
um coração
que queira ser feliz
guitarra triste
que busca um confidente
nas mãos de quem não sente
o pranto que ela diz
.
Não há ninguem que não
peça à própria vida
a felicidade merecida ...
...
...
Letra e música de Álvaro Duarte Simões

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A doença mental e o estigma ...

Pintura de Bruegel
"O imaginário e o irreal andam de mãos dadas - Loucos e sábios dialogam e há liberdade para todos"

O texto que vou publicar hoje, foi retirado inteiramente de um blogue que casualmente encontrei, acheio-o muito bem escrito, e muito elucidaditvo, como ando para escrever sobre este assunto há imenso tempo, resolvi "roubar" . Com as minhas desculpas ao autor pelo abuso, mas, ao mesmo tempo um obrigado por ter abordado este tema, tão dificil de banir da nossas sociedade "O estigma" ...

"No romance Na Praia de Chesil (Ian Mcewan), há um garoto cuja mãe tem comportamentos estranhos, diferentes dos das outras mulheres. Ele tem a percepção de que mãe é diferente mas aprende a lidar com essa diferença. E cria um cenário de normalidade na sua relação com ela. É diferente mas, no fundo, todas as pessoas são diferentes. A mãe é a mãe, as outras mães são as outras mães.Um dia, tendo ele já 14 anos, o pai tem uma conversa com ele. É então que a criança, pela primeira vez, ouve a expressão "perturbações mentais" associada à mãe. Ficou chocado mas, no fundo, diz o narrador, na cabeça dele teria apenas que persuadir-se do que sempre soubera. Ou seja, do que ele já sabia sem saber. "Claro que sempre soubera. Fora mantido num estado de inocência em virtude da ausência de um termo para designar a doença da mãe. Nunca pensara nela como uma doente e, ao mesmo tempo, sempre aceitara que ela era diferente. Devido a essa simples expressão e à capacidade das palavras de tornarem visível o invisível, a contradição estava resolvida. Perturbações mentais. O termo dissolvia a intimidade, media friamente a mãe com um padrão público que toda a gente podia entender".A minha dúvida é a seguinte. Estará correcto o narrador quando diz, a respeito deste caso, que as palavras têm a capacidade de tornarem visível o invisível?Eu tive um tio esquizofrénico. Quando eu era garoto o meu tio, para mim, era apenas um tipo excêntrico. Dava com ele a falar sozinho, ficava envolvido em estranhos silêncios, escrevia poemas que me dava a ler e dos quais eu nada entendia, e tinha um violino. Passava o tempo livre a ler, sabia coisas que pouca gente sabia. Mas gostava de jogar comigo ao 21 e levava-me a passear. Sentia que gostava muito de mim e, mais tarde, era eu já adulto, percebi melhor que gostava mesmo com aquela sublime afectividade com que um cão gosta do seu dono.E foi já tarde que descobri que, afinal, a excentricidade poética e comportamental do meu tio eram devidas a uma doença chamada esquizofrenia. Que tinha começado a ficar assim quando, jovem, tinha ido estudar Direito para Lisboa e começara a ouvir vozes e a desenvolver uma mania da perseguição. Ou seja, acabara de descobrir um tio com problemas psiquiátricos.Agora, será que possuir uma palavra (ou um conceito) para caracterizar uma pessoa, ajuda a ver melhor a pessoa? Não falo da doença da pessoa mas simplesmente da pessoa. Num certo sentido sim. Um esquizofrénico é um esquizofrénico, um português é um português, um sueco é um sueco, um judeu é um judeu, um árabe é um árabe, um agente de uma companhia de seguros é um agente de uma companhia de seguros. E daí? O que nos dá isso a ver a respeito dessa pessoa? Até que ponto o nome, a etiqueta, a chapa mental que identifica a pessoa através de um conceito ajuda a vê-la melhor? Até que pontos os ínfimos átomos dispersos de que a pessoa é feita não são ofuscados pela granítica rigidez do conceito?Até que ponto a criança que não tem consciência de que a mãe sofre de "perturbações mentais" não a verá melhor do que a senhora da padaria ou o homem do talho que olham para ela como pessoa com "pertubarções mentais"? Um olhar mais limpo, mais isento, mais objectivo, mais despido de convencionalismos sociais tantas vezes artificiais e ocos?""
Texto retirado do blogue "Ponteiros Parados" - José Ricardo Costa

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Lutar, lutar e lutar contra o tédio ....


Um assunto que me tem vindo a preocupar enquanto ser humano é a ociosidade, a falta de imaginação de ideias para estarmos ocupados. Esta falte de imaginação a que eu me refiro, se nós deixarmos, apanha não só a mente como a pouco e pouco a nós próprios, e a isso eu chamo tédio, (tédio, solidão, rotina inércia, falta e motivação etc), todas estas palavras têm como objectivo a destruição de uma mente sã, e na maioria das vezes, não me querendo referir a coisas mais graves, como depressões, e tudo o mais referente ao foro psíquico, e é normalmente o que acontece, cama, cigarros, bebida e televisão, tudo coisas inúteis sendo em excesso.
Assim estando ficamos simplesmente viajantes do espaço que ocupamos, esquecendo o maravilhoso que é o nosso intelecto, que a natureza nos brindou, e que tanto pode ser explorado com as suas potencialidades .
Também em alguns momento sofro deste mal, mas rapidamente dou o salto, às vezes, até para escrever estas linhas falta a coragem, e lá vêm as desculpas, "ando muito ocupada", "falta de tempo", "estou muito cansada" também é verdade que acontece mas normalmente essas desculpas só servem de disfarce para uma "acomodação" que é preciso estar sempre atento....
Por vezes o ser humano não se apercebe que possui um grande potencial criativo, e esse potencial a que me refiro não tem nada a ver com as artes , pintura, escultura etc. mas sim em várias áreas; todos nós somos bons nalguma coisa, por vezes é a falta de oportunidade, que não nos permite usar esse potencial criativo.
Ficar parado à espera é que não, o tentar produzir qualquer coisa, se não conseguirmos sozinhos, pedimos ajuda, não faz mal nenhum nem fica mal, é preciso é não estar parado! alguém disse um dia " o ficar parado deixa o pó aumentar nas juntas do pensamento" estou completamente de acordo, ler um livro, levar o cão à rua, dar uma passeata, ir à ginástica, enfim tanta coisa que se pode ocupar o tempo e porque não ir até à net ?
Quando digo produzir, não é para fabricar, porque nós não fabricamos nem ideias nem conceitos, cultivamos, o que é diferente, o produzir é ter uma atitude no sentido platónico, que quebra aquele ciclo vicioso que estamos a viver naqueles momentos.
E assim meus amigos, quem fica arrumado numa estante, ao pó, nunca pode reclamar que está infeliz, tem de ir à luta, para poder mostrar a toda a gente o porquê de estar neste mundo..
para sermos felizes ...
Tanto luto por este tema, e ao meu lado tanta inércia !!! quando um não quer, dois não podem ....
"Uma grande jornada começa apenas com um pequeno passo"
J. Lenoir

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Meninos de todas as cores ...

Era uma vez um menino branco chamado Miguel que vivia numa terra de meninos brancos e dizia:
É bom ser branco,
porque o açúcar é branco e é muito doce,
porque o leite é branco e tão saboroso,
e como a neve que é tão linda !!
Mas certo dia, o menino vez uma grande viagem e chegou a uma terra onde os meninos eram todos amarelos. Arranjou uma amiga chamada Flor de Lótus e então a menina dizia::
É bom ser amarelo,
porque o sol é amarelo
e o girassol, e também a
areia da praia.
O menino branco, meteu-se num barco e continuou a viagem e foi parar a uma terra onde todos os meninos eram pretos. Fez-se amigo, de um menino chamado Lumumba que, como os outros meninos dizia::
É bom ser preto,
como a noite,
preto como as azeitonas,
preto como as estradas que nos levam
para toda a parte.
O menino branco, entrou depois num avião que só parou numa terra onde todos os meninos eram vermelhos. Escolheu para brincar aos índios um menino chamado Pena de Águia e o menino dizia:
É bom ser vermelho, da cor das fogueiras,
da cor das cerejas
e da cor do sangue bem encarnado.
O menino branco foi correndo mundo, e foi parar a uma terra, onde todos os meninos eram castanhos. Aí fazia corridas de camelos, com um menino chamado Ali-Bábá que também dizia:
É bom ser castanho,
como a terra do chão,
os troncos das árvores
e como o chocolate ...
Quando o menino voltou à sua terra de meninos brancos logo disse:

É bom ser branco como o açúcar,
amarelo como o sol,
preto como as estradas
vermelho como as fogueiras,
e castanho da cor do chocolate!

e, enquanto na escola, os meninos pintavam em folhas brancas, desenhos de meninos brancos, eles fazia grandes rodas com meninos sorridentes de todas as cores ...

Concluindo; a diferença na igualdade de se ser humano e como ser diferente, não significa ser mais ou menos importante, o que interessa sim, são os valores o gostar e respeitar as pessoas independentemente da cor da pele, ser gordo ou magro, alto ou baixo.
E segundo penso a virtude está na diversidade ...
.
Conto de Luisa Ducla Soares in "Meninos de todas as cores" / 2003

















domingo, 12 de setembro de 2010

Ser diferente ...

imagem tirada da net
O ser diferente ..
.
A "padronização" é que nos mata .... Os padrões de vida que a sociedade impõe é que mata a individualidade e talvez porque não a criatividade da pessoa, porque dificulta muitas das vezes, e não dá oportunidade nem cria espaço para uma coisa simples que só está um terreno fértil para poder crescer ...
Penso que neste momento, nada disto acontece ( ouvi ontem que Portugal está equiparado à Holanda, no que respeita a certas liberdades ) portanto, o que estou para aqui a dizer já não terá significado, mas para alguns, ainda sei que tem.
E voltando um pouco atrás, as regras do preconceito são terríveis e torna-se muito difícil ser-se diferente.
Ou temos que ser muito corajosos para ir contra a tudo e a todos, ou acabamos por nos moldar e engolindo "uns sapitos", para assim não dar margens a comentários e pensamentos mais pecaminosos acerca de nós.
Cada um tem o direito a viver e andar como quer e pode, mas na realidade não é assim, porque existe sempre uma cobrança invisível e mascarada por parte de quem nos olha, nunca olhando para si próprio como devia de ser, em primeiro lugar, agindo logo de imediato como se fossem detentores da verdade.
Nunca nada disto me preocupou e continua a não me preocupar, a partir de uma certa idade, resolvi tomar uma atitude e com os devidos limites, nunca liguei aos preconceitos e às regras que a sociedade me impunha, nem na maneira de vestir, nem em relacionamentos, por vezes com muita dificuldade mas lá tenho andado . Para ser diferente, é preciso pensar primeiro e ver se faz sentido o que estamos a propor para nós, se faz, então meus amigos tudo bem é só ir para a frente e logo se verá ...
E outra coisa, muitas vezes há uma grande confusão entre o coração e a mente, mais vezes do que imaginamos e quando as pessoas sentem alguma coisa que não está de acordo com algum padrão convencionado, ( para os que seguem ) sem dó nem piedade começam-se a ter um martírio solitário, amarguradas, zangadas com o mundo, com toda a gente, e assim nunca conseguem descobrir quanto é bom Viver !!
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Em duas palavras posso resumir tudo o que eu aprendi sobre a vida quando se consegue ser diferente:
Ela continua ....

Mais uma vez, Eugénio de Andrade ....

Pintura de Olga Silclair
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A nudez
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O teu rosto inclinado pelo vento;
a feroz brancura dos teus dentes,
as mãos, de certo modo, irresponsáveis,
e contudo sombrias, e contudo transparentes ...
.
o triunfo cruel das tuas pernas
colunas em repouso se anoitece,
o peito, raso e claro feito de água,
a boca sossegada onde apetece,
.
navegar ou cantar, ou simplesmente ser
a cor de um fruto, o peso de uma flor;
as palavras mordendo a solidão,
atravessadas de alegria e de terror ..
....
São a minha grande razão a minha única razão ...
.
Eugénio de Andrade

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Será que fala bem o português ? ...

Repetir palavras ...

Nas minhas pesquisas "blogueiras" encontrei um texto que achei engraçado mas ao mesmo tempo deixou -me a pensar, e para quem o ler também irá acontecer o mesmo, penso eu, pelo menos durante alguns segundos !!! Portanto a partir deste momento cuidado com "a língua" ... será que também me repeti?

Para falar bem português não devemos dizer:



  • acabamento final

  • certeza absoluta

  • quantia exacta

  • nos dias 8, 9 e 10 inclusivé

  • juntamente com

  • elo de ligação

  • expressamente proibido

  • em duas metades iguais

  • há anos atrás

  • sintomas indicativos

  • a razão é porque

  • todos foram unânimes

  • conviver juntos

  • encarar de frente

  • uma multidão de pessoas

  • amanhecer o dia

  • surpresa inesperada

  • retornar de novo

  • criação nova

  • abertura inaugural

  • gritar bem alto

  • demasiadamente excessivo

  • a seu critério pessoal

  • exceder em muito

Segundo o autor todas estas repetições são indispensáveis. Como exemplo, "surpresa inesperada" é óbvio que se é surpresa, já é inesperada ...


Assim, fique atento ao que diz no seu dia a dia ...


Fonte net/Anovis anophelis

domingo, 5 de setembro de 2010

Aisha
Quando vi esta fotografia, fiquei sem palavras para poder tecer quaisquer comentários a respeito desta barbaridade.
Penso não ser necessário dizer muito, pois independentemente das fundamentações culturais e sociais, violência é violência em qualquer parte do mundo.
Esta jovem adolescente, foi vitima de maus tratos por parte do seu marido, fugiu de casa por não aguentar mais esta situação, ficou neste estado, e a fotografia mostra bem o machismo execrável, que ainda domina as sociedades, inclusivamente a nossa.
Continua a haver muitas mulheres, crianças e velhos, que são vítimas de maus tratos, mas por vergonha, falta de coragem ou medo, sofrem calados esse pesadelo.
Esta imagem é o reflexo de uma realidade existente ...
Até quando isto vai continuar a existir? até quando ...
Nota: Esta afegã que saiu como capa da revista Time do mês de Agosto, chama-se Aisha, tem 18 anos, tem o nariz e as orelhas mutiladas por ter sido vítima da violência por parte do marido, e o seu aparecimento,tem como objectivo denunciar a crueldade que ainda se pratica com as mulheres talibãs.
Quando fugiu foi ter a uma ONG, perto de um refúgio de soldados Americanos. Foi levada para os Estados Unidos, onde foi operada.
Infelizmente, esta publicação transcendeu os seus objectivos e foi-lhe dado uma conotação política, relativamente à permanência dos soldados americanos naquele país pelo título, " What happens if we leave Afghnistan " ( o que acontece se deixarmos o Afaganistão? ) justificando assim a sua permanência naquele país, focando as mulheres que vivem sob o domínio talibã.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Azul ultramar ....

AZUL ...

Em 1455, Piero Della Francesca, pintou um fresco conhecido como a Madona do Parto. A evidente alusão à representação teatral dessa obra é uma confirmação do cruzamento entre o sistema de imagens da cultura popular com a cultura intelectual, base do realismo renascentista.

Mas o que pouca gente sabe é que o azul ultramar do vestido da Madona é uma tonalidade muito rara para a época, era obtida a partir de um processo muito complicado do lápis lázuli extraído nas distantes cavernas das montanhas do Afeganistão que chegava à Itália em caravanas da rota da seda.

Séculos depois devolvemos às Madonas do Afeganistão muito mais que o azul ultramar industrializado pela civilização....