sábado, 30 de abril de 2011

1 de Maio de 2011 - Hoje é o meu dia .... dia da mãe, do trabalhador e dia dos meus anos ....

Quatro em um.......

A beatificação do mapa !!!!!




Fazer anos ...


Se fazer anos é ...
... ficar mais experiente, mais velho, mais entendedor do que se passa nas mentes e corações de cada um, se fazer anos é aumentar o grau de apuração do gosto, é aprender a olhar para todo mundo nos olhos, é sentir que se deu um passo adiante no caminho da evolução, é sentir o mundo mais próximo, é ver uma flor e não pisá-la , se fazer anos é pensar em construir mais que destruir, é pensar em gostar mais que odiar, é viver mais agora do que ontem ou amanhã, se fazer mais anos é tornar-se mais paciente, mais aberto a críticas, mais sortudo, mais cheio de poucos e verdadeiros amigos, se fazer anos é completar velhos ciclos e abrir novos, se é ter novas experiências, aprender a apreciar detalhes, a aprender a melhorar cada vez mais, a entender um pouco melhor as partidas da vida e o valor dos gestos, se é doar-se com mais generosidade ao mundo e às pessoas, se é aprender a olhar o outro com mais compaixão e ternura e para nós mesmos com mais humildade, se fazer anos é não apagar, mas acender velas, se é aprender a ouvir uma boa música, se é encontrar e reencontrar livros, se é festejar com os amigos , ter maior consciências das coisas com mais profundidade e entendimento, treinando a incondicionalidade do amor verdadeiro, se fazer anos é tudo isso, o que eu quero mais é continuar a apagar muitas muitas velinhas durante muitos anos…... o que eu quero é agradecer o carinho que a vida tem tido por mim, pacientemente têm-me provido disso tudo e de tudo o mais que eu sempre desejei, desde o início dos inícios. Por mim, hoje, não apago, mais uma vela mas sim acendo!!! como fosse uma luz que vem dentro de mim que se acende para me dar forças para continuar a abraçar a vida, e agradecer “ao Deuses” tudo de bom que me tem acontecido e se conseguir ir espalhando alguns sentimento pelo “meu Mundo”. Porque até há uns anos atrás, eu pensava que conseguia mudar o Mundo, agora só tento, “ o meu Mundo” Estes são os meus maiores votos, a felicidade que posso receber e dar , a saúde, a paz de espírito, e o sossego, muitos anos, anos de vida para todos nós, e uma salva de palmas !!!


(Isto só serve para ”aqueles” que não exigem muito e se sentem abençoados com o que têm …)

Dia da mãe

Poema "Dança das Mães"
Para todas as mães a minha homenagem ….
Na beleza incurável das feridas
alimentam-se mães sem trégua.
Nos rios secos, batem e batem os corações
alimentados em sangue frio e espesso.
Que procuram as raízes….
O coração é um bicho estranho, que vai caminhando
gota a gota. E as feridas imprudentes
aproximam-se das mães, imprudentes ao peso
de cada sopro. O amor eternamente feroz…..
E as feridas das mães, são cada vez mais belas.
O medo caminha violentamente mais perto,
no corpo, na cara, nas vértebras e no ventre
onde se abriga com seu volúvel volume,
o silencioso amor de mãe!
Sob a folhagem da água, mães cansadas
da aridez que as toca, incendeiam-se através
dos filhos. E os filhos, esse chumbo cravado
nas asas, esse projecto que sobre o mar se estende,
alimenta as feridas pelos tendões.
As mães debicam sobre a areia da sua rota clara,
até ao fim do mundo como se fosse pela última vez….
Sobre a montanha, um filho incorpora-se na beleza
incurável das feridas, enquanto mães tacteiam
a pedra, até ser flor.
Por vezes sangram e cantam, secam os olhos,
arrancam os sexos e em permanente luta, corpo
a corpo, o amor estende-se, mas os gestos
são frios, neste caminhar obsceno
de pessoas sem frutos…Há-de caber numa gota, todo
o tempo, de uma vida sem história. …
Estas são as mães de todo o Mundo!!!

In João Vilela Rasteiro



Dia do Trabalhador

Viverás do suor do teu rosto
Serás do paraíso expulso
O trabalho, como sina posto
Eis a missão segue o impulso
Da terra tudo ao teu alcance
Verei na tua labuta o lance

Veio o trabalho doméstico
No lar, campo, e animais
Na terra o cultivo agréstico
Escravos ociosos não mais
Os fortes tomaram as terras
Volta à escravidão em levas

Surgiu o patrão tendo garras
O trabalhador obrigado
As mulheres como escravas
No poder vem o desregrado
Depois de lutas e glórias
A liberdade ganha vitória

Patrão e empregado lutam
Um comanda todo poder
Os servidores permutam
Reivindicam para vencer
Mas, a força do mais forte
Toma os rumos em suporte

Ambos contêm o mesmo valor
Caminham na mesma direcção
O mesmo objectivo e labor
Os dois engrandecem a nação
Mas, um com farto galardão
Outro sob o cerne da obrigação

Trabalho é base do progresso
Trabalhador peça essencial
Pedra preciosa, bom apreço
Quando em pleno potencial
Parabéns, homem trabalhador
Com dignidade, serás vencedor


in autor desconhecido





domingo, 24 de abril de 2011

O dia mais importante da minha geração, 25 de Abril de 1974

Achei um encanto este texto talvez por ser diferente, quando o descobri guardei-o imediatamente à espera de o poder postar aqui no meu blog quando fosse oportuno ...e cá está ele !!!! é esta a minha homenagem ao dia mais importante da minha geração, o

""""" DIA 25 DE ABRIL DE 1974 """""

Ditado e Composição….

Cravo Grande - Sabes porque é que este dia, o 25 de Abril é um dia especial?
Cravo Pequeno - Sei. Porque foi o dia em que tu nasceste.
Cravo Grande - Que ideia! Não é especial por eu ter nascido. É porque foi o dia em que nasceu a Democracia.
Cravo Pequeno - A quê?
Cravo Grande - Democracia, sabes o que é? E Ditadura?
Cravo Pequeno - Também não. Só sei o que é ditado.
Cravo Grande - Muito bem. Explica-me lá o que é ditado.
Cravo Pequeno - Uma pessoa dita e tu tens de escrever o que ele dita. Se não for igualzinho tens má nota.
Cravo Grande - E se quiseres dar a tua opinião?
Cravo Pequeno - Isso é uma composição! Posso escrever o que quero.
Cravo Grande - E isso mesmo. A ditadura é como o ditado, tens de fazer o que te dizem sem reclamar, senão podes ser preso. A Democracia é como uma composição, podes dar a tua opinião, podes escolher o que quiseres.
Cravo Pequeno - E o que é que isso tem a ver com o 25 de Abril?
Cravo Grande - É que em Portugal, antes de 25 de Abril de 1974, que foi o dia em que eu nasci, havia uma Ditadura e, em tal dia, uns militares que não queriam aquela ditadura fizeram a revolução e então nasceu a Democracia.
Cravo Pequeno - É por isso que te chamam 25?
Cravo Grande - Sim, é por esse motivo.
Cravo Pequeno - Eu acho é que deviam ter-te chamado composição.

In Teresa Paixão – Rua Sésamo

sábado, 23 de abril de 2011



A partir de hoje prometi a mim mesma que não lamentarei mais o dia de ontem. Ele está no passado e o passado nunca vai mudar. Só poderia adaptar algumas coisas se fosse essa a minha vontade!

A partir de hoje não me preocuparei mais com o futuro. O amanhã estará lá sempre, sempre à minha espera e só eu o poderei tornar no melhor possível. Mas não posso fazer o melhor pelo amanhã sem primeiro fazer o melhor hoje.

A partir de hoje eu me olharei no espelho e tentarei ver alguém bastante valioso e merecedor do meu respeito e admiração. Alguém com quem gosto de passar minhas horas e a quem conseguirei conhecer melhor.
A partir de hoje eu tratarei com mais carinho cada dia da minha vida, valorizando muito mais o presente partilhando-o sem egoísmo com meus entes queridos .

Vou enfrentar os desafios com coragem e determinação. Eu superarei as barreiras que tentem impedir a minha busca pelo crescimento e o meu auto-melhoramento…..
A partir de hoje eu viverei a vida um dia de cada vez, dando um passo de cada vez. O desencorajamento não terá permissão para manchar a minha positiva auto-imagem.. ...
A partir de hoje renovarei a minha esperança na raça humana , acreditando que há esperança de um futuro muito melhor….
A partir de hoje abrirei minha alma e o meu coração. Dareias boas vindas as novas experiências, aos novos conhecimentos e às novas pessoas que entrarem na minha vida!
Não pretendo ser perfeita nem exigirei que os outros o sejam, pois a perfeição absoluta não existe neste mundo. Com todo o gosto aplaudirei as tentativas de fortalecimento do lado fraco da natureza humana…

A partir de hoje eu sou a responsável pela minha felicidade e não medirei esforços para manter-me feliz. Olharei as maravilhas que a natureza me vai oferecendo, escutarei minhas canções favoritas, e encontrarei prazer nos mais variados e simples gestos. Hoje e sempre aprenderei coisas novas e experimentarei coisas diferentes, saborearei com o maior dos gostos tudo que a Vida tem para me oferecer, e mudarei o que puder, porque o restante deixarei passar pura e simplesmente …

Agradecerei por tudo que tenho de melhor, por ser alguém que pode ser melhor, pois sei agora que isso é possível. A partir de hoje e para sempre.
Prometi a mim mesma que seria assim e vai ser!

Imagem de helene knoop

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Menino do bairro negro




Menino do Bairro Negro


Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar

Menino sem condição
Irmão de todos os nus
Tira os olhos do chão
Vem ver a luz

Menino do mal trajar
Um novo dia lá vem
Só quem souber cantar
Vira também

Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego

Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção

Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos vão correndo
Ver o sol chegar

Se até da gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te não há-de amar
Menino a ti

Se não é fúria a razão
Se toda a gente quiser
Um dia hás-de aprender
Haja o que houver

Negro bairro negro
Bairro negro
Onde não há pão
Não há sossego

Menino pobre o teu lar
Queira ou não queira o papão
Há-de um dia cantar
Esta canção

O meu olhar ....



O meu olhar ...


O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás…
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem…
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras…
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo…
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender …

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos…
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar …
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar…

Alberto Caeiro e Botero








quarta-feira, 20 de abril de 2011



Por falta de tempo, não tenho aparecido em lado nenhum, nem face nem blog, espero que, brevemente tudo se normalize para continuar nas minhas escritas ...
Mas deixo aqui um grafite que acabei hoje, espero que gostem ...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

SWANILDA

No domingo fui ver o Royal Ballet de Moscovo com a representação de Coppélia, escusado será dizer que adorei, foram 3 horas fora do "planeta", lindissimo, e aqui deixo um "aperitivozinho" a valsa da Swanilda ...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Escolho os meus amigos ...



Oscar Wilde,é muito agradável recordá-lo ... personagem de quem gosto muito !!!


Escolho os meus amigos não
pela pele ou outro
“arquétipo”qualquer,
mas sim pela pupila,
tem que ter brilho ...
questionador e
tonalidade inquietante.
A mim não me interessam
os bons de espírito
nem os maus
de hábitos!!!
Fico e gosto d'aqueles que fazem de mim
louco e santo.
Deles não quero resposta,
quero meu o avesso….
que me tragam dúvidas e angústias
e aguentem o que há
de pior em mim….
Para isso, só sendo louco!!!
Quero-os santos, para que não duvidem
das "diferenças" e
peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela cara lavada
e pela almae xposta.
Não quero só um ombro ou um colo,
quero também sua
alegria…
Amigos que não riem juntos não sabem sofrer juntos.
Os meus amigos são todos assim: metade “loucura”, metade
seriedade….
Não quero e não gosto de risos previsíveis
nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem
da realidade a sua
fonte de aprendizagem, mas lutam sempre
para que a
fantasia não desapareça….
não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice….
crianças, para que não esqueçam
o valor do vento no
rosto e velhos,
para que nunca tenham pressas….
E amigos que saibam quem eu sou!!!!
Pois os vendo loucos e santos, engraçados e sérios,
crianças e velhos, nunca me esquecerei de que a
"normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril….. “

Oscar Wilde

(adorooooo!!! todas estas palavras, e gostava de ter sido eu a dizer tudo isto ....

quarta-feira, 6 de abril de 2011



Diz a lenda que Cleópatra era uma mulher feia. Pensavam que era parecida com Elisabeth Taylor com seus lindos olhos violeta? Nada disso, a Cleópatra real era mesmo muito feia!!!
Pelo menos é o que atestam pesquisadores que até já tentaram reconstruir o rosto da rainha, baseados claro, em cronicas do período em que ela viveu.... Mesmo assim, não sendo nenhuma beldade, conseguiu seduzir os dois imperadores ….
E qual o segredo de Cleópatra? Penso que é conhecido era o perfumeeee!!!!
Cleópatra adorava unguentos e pomadas aromáticas, usava e abusava de fragrâncias de todos os tipos, por onde passava deixava sempre rasto…
Há uma cena muito comentada onde ela vai ter com Julio Cesar ao quarto enrolada num tapete, e César perplexo e não ficando nada impressionado com a sua beleza, mas não resistindo sucumbiu completamente ao seu cheiro agradavelmente sedutor.
E é pelo cheiro, através do sistema límbico (no cérebro), que reconhecemos o perigo e nos apaixonamos, e esta de certeza que não sabiam !!!
Um instinto biológico, mas que com o passar do tempo sofisticou-se graças a capacidade humana de imaginar e projectar o belo, e o agradável.
Mas este texto não pretende falar sobre a soberana que se matou com uma picada de serpente ou sobre os seus romances, mas da fixação dela pelos perfumes. Todas nós, em maior ou menor grau, compartilhamos a paixão de Cleópetra por cheiros agradáveis. E foi lá mesmo, no Egipto antigo, antes da dinastia dos ptolomeus (a de Cleópatra) que o perfume nasceu.

Quer saber como foi?
“Per fumum” para agradar aos deuses ...

A palavra perfume é de origem latina, "per fumum" , e significa “pela fumaça”. O nome foi inventado pelos romanos, embora o perfume já existisse bem antes do advento do império mais poderoso da antiguidade.
Uma lenda hebraica diz que o perfume foi uma criação de Deus, que teria dito a Moysés, na mesma ocasião em que ditou para ele os Dez Mandamentos, para queimar incensos aromáticos (fumaça), criados a partir de ervas e flores !!! e assim homenagear o Criador.
E, lendas à parte, foi para honrar os mortos e os deuses que o bendito perfume surgiu.
Há mais ou menos 2.000 a.C, os egípcios já fabricavam unguentos e pomadas para untar os corpos dos mortos da nobreza, que seriam embalsamados. O perfume nasceu com as múmias. Das casas mortuárias egipcias, a criação dos antigos embalsamadores migrou para os altares e o seio da nobreza, literalmente, pois só os nobres podiam usar determinadas fragrâncias consideradas divinas. No entanto, os soldados também tinham direito de usar pomadas cheirosas e em 1.330 a.C, até fizeram uma greve contra o faraó Seti I. Pensam que eles reclamaram da falta de comida? Nada disso o
perfume tinha acabado! ( lindo!!! )
É a partir do século X que os árabes transformam os antigos unguentos, óleos e pomadas da antiguidade, no avô dos perfumes contemporâneos. Os alquimistas da Arábia descobriram várias formas de extrair as essências das plantas, diluí-las em álcool e
fixarem o cheiro a partir do almíscar encontrado nas glândulas sexuais de alguns animais. Hoje em dia, o Greenpeace brigam para que marcas famosas como o Channel 5deixem de extrair substâncias dos pobres bichos e usem fixadores desenvolvidos em laboratório. Para mim, que adoro perfumes, é bem mais confortável ter certeza de que o meu perfume preferido não é adquirido a partir do sofrimento de animais .
Da Arábia, os perfumes conquistaram os espanhóis, que viveram sobre dominação árabe numa parte da Idade Média, e de Espanha, e o hábito de se perfumar avançou pela Europa. A fama dos perfumes porém, começou na França do século XIV. Até hoje, o país é a referência mundial em perfumaria.....

Sabia que…
o primeiro perfume que se popularizou na Europa foi feito para a rainha Elisabeth, da Hungria, em 1730 e não passava de uma delicada água de rosas?
que a partir do século XIX o perfume passou a ser usado como terapia?
que a aromaterapia é o uso de substâncias com odor agradável para ajudar no bem-estar?
que o cheiro de lavanda, por exemplo, é calmante?
que a hortelã é curativa?
que o limão ajuda na concentração e o alecrim alivia o cansaço?
que um perfume é feito a partir da combinação de e até 200 substâncias?

Assim como os acordes de uma música, o perfume tem notas: as de cabeça são as que evaporam em três minutos; as de coração, formam o cheiro real do perfume e duram até oito horas e as notas de fundo são o cheiro residual, que permanecem na pele pelo
período de 24 horas …

(Texto baseado em pesquisas da net)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Todos somos fortes ....

"...Todos juntos somos fortes

Somos flecha e somos arco

Todos nós no mesmo barco

Não há nada pra temer..."


Uma gata, o que é que tem?

- As unhas

E a galinha, o que é que tem?

- O bico

Dito assim, parece até ridículo

Um bichinho a assanhar -se

E o burro, o que é que tem?

- As patas

E o cachorro, o que é que tem?

- Os dentes

Ponha tudo junto e de repente

vamos ver o que é que dá ...

Junte um bico com dez unhas

Quatro patas, trinta dentes

E o valente dos valentes

Ainda vai te respeitar

Todos juntos somos fortes

Somos flecha e somos arco

Todos nós no mesmo barco

Não há nada pra temer

- Ao meu lado há um amigo

Que é preciso proteger

Todos juntos somos fortes

Não há nada pra temer

Uma gata, o que é que é?

- Esperta ...

E o burro, o que é que é?

- Paciente

Não é grande coisa realmente

E o cachorro, o que é que é?

- Leal

E a galinha, o que é que é?

- Teimosa

Não parece mesmo grande coisa

Vamos ver no que é que dá

Esperteza, Paciência Lealdade, Teimosia

E mais dia menos dia

A lei da selva vai mudar ....


Todos juntos somos fortes

Somos flecha e somos arco

Todos nós no mesmo barco

Não há nada pra temer ...


- Ao nosso lado há sempre um amigo

que é preciso proteger ...

mas como todos juntos somos fortes

não há nada pra temer ...

e no mundo dizem que são tantos

os saltimbancos como nós !!!!.


(versão de Chico Buarque)


Luiz Enriquez & Sérgio Bardotti


sábado, 2 de abril de 2011

A minha aldeia ...











A ALDEIA DO BAIRRO SENHORA DA LUZ



O Bairro Senhora da Luz, denominado até aos anos 70 por Lugar do Bairro, tem elementos físicos interessantíssimos do património rural desta região associados a rituais de convivência comunitária muito fortes. Associado à guerra peninsular, iniciada em 1808 e que só terminaria em 1814, já em território francês, o Lugar do Bairro poderá ser a vollage tantas vezes referida nos documentos históricos e nos relatos de historiadores, antropólogos e população local. Este lugar só passou a ter associado o nome da sua padroeira em inícios da década de 70 quando surgiram outros bairros no concelho de Óbidos, como é o caso do Bairro dos Arcos, do Bairro da Salgueirinha ou do Bairro da Raposeira. Perante sistemáticos enganos por parte dos carteiros na entrega das cartas os habitantes do Bairro, por iniciativa própria, começaram a escrever na correspondência Bairro Senhora da Luz ao invés de Lugar do Bairro como faziam até então. Situada na Freguesia da Santa Maria, a aldeia do Bairro Senhora da Luz pertence ao concelho de Óbidos e ao distrito de Leiria respectivamente, situando-se entre a vila de Óbidos e a cidade das Caldas da Rainha. A ocidente da Lagoa de Óbidos, o Bairro tem como principal actividade económica a agricultura, nomeadamente a produção de cereais, vinho, legumes e alguma fruta característica de todo o concelho. Os produtos agrícolas na sua maioria são para consumo próprio, no entanto existem agricultores a vender para o comércio tradicional e para os hipermercados dos concelhos de Óbidos e Caldas da Rainha. Nunca foram muitos os agricultores que possuíam terra e que se dedicavam exclusivamente à agricultura. Muitos habitantes repartiam a sua actividade laboral pelo trabalho nas quintas, principalmente na Quinta do Negrelho, e o trabalho nas várias minas de gesso e carvão existentes no Bairro Senhora da Luz. É na primeira década do século XX que começa a actividade mineira nesta aldeia, depois de descobertos o gesso e outros minerais congéneres. Há então um desenvolvimento económico mais acentuado com impacto no aumento do número de famílias e consequente crescimento urbanístico. “Atendendo à sua localização geográfica, entre Caldas e Óbidos, a aldeia foi palco dos primeiros confrontos da Guerra Peninsular, a quinze de Agosto de 1808, dois dias antes da batalha da Roliça que opuseram o exército luso-britânico ao francês. Com efeito, segundo os historiadores João Pedro Tormenta e Pedro Fiéis, o “moinho de Brilos” onde esse confronto terá acontecido é o moinho ainda hoje existente na proximidade da capela de Nossa Senhora da Luz” (in http://www.santamaria-obidos.com/) Até 1963 o Lugar do Bairro estava completamente isolado. Os caminhos davam apenas para passar a pé, de burro, de carroça ou em carro de bois. “Para passar de motorizada ou de bicicleta só se conseguia entrar e sair do Lugar do Bairro pelo caminho da Toiça”. Os primeiros automóveis a vir ao Bairro foram dois autocarros que vieram buscar os habitantes para uma excursão pela costa marítima para a feira popular, designada a volta saloia, em 1961. Esta excursão foi organizada pelo “Grupo Excursionista Os Alegres”, formado por alguns habitantes do Lugar e liderado por José Júlio Ribeiro. Nessa altura alguns dos habitantes juntaram-se para “rossar mato” e alargar um caminho para passar os autocarros. Em 1963 foi aberta a estrada para Óbidos, com o alargamento do caminho do Serafim Ramos, que ligava o largo do Coreto à ponte do Rio Quente . Os primeiros carros a vir ao Bairro foram os táxis de Óbidos, do Sr. João Fonseca da Silva, conhecido por João Carvoeiro . O primeiro habitante a ter carro foi o Sr. Manuel Destapado, “um Mini, para transportar a mercadoria para a Mercearia”. Mais tarde, em 1976, construiu-se a estrada para Caldas da Rainha, pelo caminho do Salgueiro e pela Estrada Funda. CARACTERIZAÇÃO SOCIO-ECONÓMICA DO LUGAR DO BAIRRO Equipamentos Culturais, Desportivos e de Lazer Sport Clube do Bairro (1944); Um parque de jogos; Um recinto do jogo da bola. Equipamentos Sociais Santa Casa da Misericórdia; Centro de Dia – Projecto Melhor Idade do Município de Óbidos (2005). Equipamentos Religiosos Igreja Senhora da Luz; Igreja Assembleia de Deus. Estabelecimentos Comerciais Café Castiço. Na década de 70 chegaram a existir quatro tascas: A tasca do Teodoro de Almeida, a tasca do José Maltez, a tasca do Joaquim Júlio e a tasca do Francisco Jorge; Minimercado Senhora da Luz; Duas oficinas de mecânico; Um pronto-socorro; Uma empresa de mudanças; Uma oficina artesanal de sapateiro (já houve 4); Uma área de serviço da A8 (auto-estrada). Agricultura e Criação de Gado Uma empresa de produtos agrícolas; Um aviário de perus; Sete agricultores com tractor; Seis agricultores com dedicação exclusiva à actividade; Cerca de dez agricultores a conciliar a agricultura com outras actividades laborais; Uma vacaria (no Casal da Figueira).

( já nada disto existe)

Minas Duas explorações de gesso (já houve mais duas minas de gesso extintas na década de 60); Os habitantes do Bairro falam na existência de uma mina de cobre no casal da Avarela, no entanto nem os mais antigos se lembram de a ver em actividade. PROCISSÕES E ROMARIAS As primeiras procissões no Lugar do Bairro surgiram na década de 70, depois do 25 de Abril de 1974. No dia 26 de Dezembro faz-se a procissão em honra da Senhora da Luz e recentemente tem-se feito a procissão das velas, sem data definida e a Via-sacra na Quaresma. Festas em Honra da Senhora da Luz O dia da Senhora da Luz, padroeira do Lugar do Bairro, é a sete de Setembro, no entanto, há mais de cem anos, as festas em honra da padroeira passaram para o dia 26 de Dezembro, dia de Santo Estêvão. Esta alteração deve-se ao facto de “em Dezembro não haver trabalho agrícola e as pessoas terem mais tempo para se dedicar às festas”. As festas duram quatro dias, com inicio no dia vinte e seis de Dezembro e terminando no dia vinte e nove do mesmo mês. Todos os anos se juntavam pessoas para organizar a comissão de festas. Havia o juiz que organizava a festa, a juíza que era a moça nova que zelava a igreja e os mordomos que ajudavam na organização das festividades. A Batatada No dia 1 de Janeiro fazia-se a batatada, por altura da entrada da nova comissão de festas. Nesse dia fazia-se o peditório do espeto pelos casais circundantes. As pessoas davam “chouriças, toicinho, laranjas, batatas-doces e maças, fazendo-se posteriormente o leilão porta a porta para angariar fundos para a festa seguinte”. A angariação de fundos tinha continuidade normalmente aos domingos nas aldeias dos concelhos de Caldas, Óbidos e Peniche. No dia 8 de Dezembro fazia-se o peditório no Lugar do Bairro. Esperava-se que os habitantes dissessem quanto dinheiro poderiam dar e “de acordo com a verba alcançada organizava-se a festa”. A recolha deste dinheiro era feita nos dias 25 e 26. A festa começava ao dia vinte e seis com a Banda Filarmónica que actuava durante todo o dia. Da parte da manhã a Banda tocava em cortejo e recolhia-se o dinheiro indicado pelas pessoas no dia 8 de Dezembro. A missa começava normalmente às 15 horas e era acompanhada pela Banda que depois ficava a tocar até ao final do dia. Neste dia, não era permitido fazer Baile limitando a animação aos rituais religiosos. A partir do dia vinte e sete dava-se início aos bailes no largo do coreto. Os acordeonistas, bandas e conjuntos tocavam em cima do coreto ou em cima de carros de bois encostados à igreja e com as laterais forradas a esteira ou a caniços. “Chegavam-se a fazer três bailes no mesmo dia, mas em três locais diferentes do Lugar, desde o pôr-do-sol de um dia até ao nascer do sol do outro e sempre com público”. No dia vinte e oito ninguém podia trabalhar nem dormir após a alvorada. Os habitantes mais antigos do Bairro conhecem esta tradição desde sempre, terminando definitivamente em meados da década de oitenta. Era o dia das multas. Depois de se deitar o ultimo foguete da alvorada todos os habitantes que fossem apanhados a trabalhar ou a dormir eram recolhidos numa carroça, carro de bois ou padiola e levados e exibidos perante o povo. Muitas pessoas eram recolhidas com a roupa que tinham no corpo, muitas vezes em pijama ou camisa de dormir. Todos os infractores pagavam a multa nas tabernas do lugar com a oferta de bebidas a todos os presentes. Na noite de 27 para 28 “a malta nova ia com os cobertores para o baile para depois dormir em celeiros ou em casas desabitadas e assim evitarem ser apanhados na manhã seguinte a dormir” livrando-se do pagamento das multas.

OS CAMINHOS RURAIS Caminho da Ganância (liga a aldeia ao rio do povo) Caminho da ponte de pedra (liga a aldeia à quinta do Negrelho) Caminho da Cardadoura (ligava a aldeia a trás do Outeiro e às Caldas) Caminho do Talefe Caminho do Outão Caminho do Serafim Ramos (liga a aldeia a Óbidos) Caminho da Pontica (passa no poço da Várzea e leva à estrada das Caldas) Caminho do Salgueiro Caminho da Seixeira (actual rua da sancheira) Caminho da Toiça Estrada Funda Caminho do Salgueiro O jardim do Bairro, actual Largo do Grilo, anteriormente (até à década de 70) era conhecido pelo largo da Delmira. Pelo que parece ao longo dos tempos era atribuído o nome de acordo com o nome de pessoas que iam habitando casas viradas para este largo. ( este jardim tem 10 m2 )

A Aldeia do Bairro Senhora da Luz A ocidente da Lagoa, numa das estradas de ligação entre Óbidos e Caldas da Rainha, a aldeia do Bairro, com uma existência documentada desde a época medieval, parece ter assistido a um crescimento demográfico reduzido mas contínuo, a partir de meados do século XVII, evoluindo de dezanove famílias, em 1657, parra quarenta, cerca de cem anos depois (1764). Tal crescimento demográfico traduziu-se também num crescimento urbanístico a partir da denominada Cruz do Bairro (topónimo setecentista que poderá referir-se ao cruzeiro existente num dos extremos da aldeia) até ao Largo (o Rocio), referenciado pelos menos a partir dos finais do século XVII. Não existindo hoje nenhuma referência ao “Rocio” podemos supor que ele se localizaria junto à capela da localidade, no actual Largo do Coreto. A capela, de evocação de Nossa Senhora da Luz, terá sido construída nos inícios do século XVIII, para responder às necessidades religiosas de uma população em crescimento. Em 1733, através das Visitações de São João Baptista do Mocharro, sabemos que já está aberta ao culto a alguns anos, sendo urgente restaurar o telhado, mas que não estará ainda concluída, uma vez que o Visitador ordena que se construa a torre sineira. Recentemente restaurada ainda hoje aí se celebra, a vinte e seis de Dezembro, a festa de Nossa Senhora da Luz que o autor das Memórias Históricas refere ter tido, em épocas anteriores, muitos visitantes da região. Tal como no caso das outras aldeias da freguesia, a actividade principal foi sempre a agricultura praticada em terrenos próximos da localidade (Cruz do Bairro, Poça do Bairro, Seixeira, Senhora da Luz) e na zona envolvente (Arelho; Avarela, Trás do Outeiro) com a produção de cereais, vinho, azeite, legumes e alguma fruta). A descoberta de gesso e outros minerais congéneres, na primeira década do século XX, levou ao desenvolvimento, na zona do então casal da Avarela (região de matos e vinhas) da actividade mineira que, ainda hoje aí se desenvolve. Atendendo à sua localização geográfica, entre Caldas e Óbidos, a aldeia foi palco dos primeiros confrontos da Guerra Peninsular, a quinze de Agosto de 1808, dois dias antes da batalha da Roliça que opuseram o exército luso-britânico ao francês. Com efeito, segundo os historiadores João Pedro Tormenta e Pedro Fiéis, o “moinho de Brilos” onde esse confronto terá acontecido é o moinho ainda hoje existente na proximidade da capela de Nossa Senhora da Luz. Consulte aqui a planta da aldeia… Fonte: Site da Freguesia de Santa Maria – Óbidos


Pesquisa de Miguel Oliveira - 2009 - Net