sábado, 26 de fevereiro de 2011

Espinhos ...



Para que servem os espinhos?

(...) O principezinho jamais desistia de uma pergunta, depois de a ter feito. Mas eu estava irritado com o parafuso e respondi qualquer coisa:
- Os espinhos não servem para nada. São pura maldade das flores.
- Oh!
Mas após um silêncio, ele disse-me com uma espécie de rancor:
- Não acredito! As flores são fracas. Ingénuas. Defendem-se como podem. Elas julgam-se terríveis com os seus espinhos...
Não respondi. Naquele instante eu pensava: "Se esse parafuso ainda resiste, vou fazê-lo saltar a martelo". O principezinho perturbou-me de novo as reflexões:
- E tu pensas então que as flores...
- Ora! Eu não penso nada. Eu respondi qualquer coisa. Eu só me ocupo de coisas sérias!
Ele olhou-me estupefato:
- Coisas sérias!
Via-me, martelo em punho, dedos sujos de graxa, curvado sobre um feio objecto.
- Tu falas como as pessoas grandes!
Senti um pouco de vergonha. Mas ele acrescentou, implacável:
- Tu confundes todas as coisas... Misturas tudo!
Estava realmente muito irritado. Sacudia ao vento os seus cabelos de ouro:
- Eu conheço um planeta onde há um sujeito vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E todo o dia repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e isso faz com que ele inche de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!
- Um o quê?
- Um cogumelo!
O principezinho estava agora pálido de cólera.
- Há milhões e milhões de anos que as flores fabricam espinhos. Há milhões e milhões de anos que os carneiros as comem, apesar de tudo. E não será sério procurar compreender por que perdem tanto tempo a fabricar espinhos inúteis? Não terá importância a guerra dos carneiros e das flores? Não será mais importante que as contas do tal sujeito? E se eu, por minha vez, conheço uma flor única no mundo, que só existe no meu planeta, e que um belo dia um carneirinho pode liquidar num só golpe, sem avaliar o que faz, - isto não tem importância?!
Corou um pouco, e continuou em seguida:
- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "A minha flor está lá, nalgum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância!

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(De «O Principezinho», de ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY - 1943)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os 32 anos do Vasco ....



Criar um filho é uma aventura personalizada, sem manual de instruções. Definitivamente, é preciso uma boa dose de paciência e sabedoria para agir correctamente diante do inesperado!!!.

Quando eles nascem é o paraíso. Ficamos bué de babadas com a novidade. Registamos tudo, compulsivamente, desde o primeiro bocejo até a participação da escola, fazendo uma espécie de papel de árvore. É impressionante o envolvimento e a cumplicidade que adquirimos com o passar dos dias, dos anos e nem nos apercebemos que eles crescem rápido e pedem espaço, palavra, tempo, entendimento e confiança….

Em se tratando da progenitora, a sua prole será sempre um bébe, dependente dos seus cuidados e frágil como um bibelot…. viramos leoas quando alguém os perturba, ou ofende …..e vê-los felizes e estáveis é a nossa luta e está sempre em primeiro plano, tudo o resto é dispensável…..

Ter filhos é aprender a lidar com o improvável, virar uma guerreira, ser engraçada, inventora, actriz, professora, enfermeira, médica e tentar encontrar as palavras certas para cada momento. É, acima de tudo, uma experiência fantástica em que se aprende, ensina, compartilha, teoriza e há sempre as horas para rir ou chorar, disciplinar ou relaxar. É uma alegria constante, um amor que não acaba, uma presença que ninguém substitui. Adoro os meus filhos, mas hoje especialmente…


… foi à 32 anos ... fui mãe de um menino lindo com 5,550 kg, o meu filho Vasco é para ele que vai este pequenino texto que saiu ao "correr da pena… "

Feliz Aniversário, filhote!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Uma definição ....





O Paulo Coelho, enfim!! não lhe encontro grande graça mas tem 2 ou 3 livros que na altura que li em 1999/2000, confesso que me identifiquei com eles e nunca mais os esqueci, neste momento é pessoa que já não leio nada do que escreve, mas de um dos livros guardei este pequeno texto que de uma maneira muita ligeira (um bocadinho machista, talvez) transcreve uma definição do qual achei que fazia algum sentido, guardei-o, e aqui fica ...


"( ...) As jovens são lindas... mas as de 40 para cima, são muito melhores. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda... cresce. Não podem pensar, sem ficarem psicóticas que podem entrar no mesmo vestido que usavam aos 18. Entretanto uma mulher de 50, na qual entre na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou há qualquer coisa que não está bem.
Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua natural tendência as culpas. Ou seja, aquela que quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes; quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (sem sabotagem e sem sofrer); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que goste, compra; quando tem que economizar, economiza.
Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São feridas de guerra, testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos 'em formol' nem em spas... viveram! O corpo da mulher é a prova de que Deus existe. É o sagrado recinto da gestação de todos os homens, onde foram alimentados, ninados e nós, sem querer, as enchemos de estrias, de cesárias e demais coisas que tiveram que acontecer para estarmos vivos.

Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se!
A beleza é tudo isto."

Paulo Coelho

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia de S. Valentim ...



Aqui vos deixo o meu coração ...


A pequena história de São Valentim ...

São Valentim, (ou Valentinus em latim), é um santo reconhecido pela Igreja Católica e igrejas orientais que dá nome ao Dia dos Namorados em muitos países ....

Durante o governo do imperador Cláudio II, este proibiu a realização de casamentos em seu reino, com o objectivo de formar um grande e poderoso exército. Cláudio acreditava que os jovens se não tivessem família, alistariam-se com maior facilidade. No entanto, um bispo romano continuou a celebrar casamentos, mesmo com a proibição do imperador. Seu nome era Valentim e as cerimónias eram realizadas em segredo. A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto estava preso, muitos jovens jogavam flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor. Entre as pessoas que jogaram mensagens ao bispo estava uma jovem invisual, Asterias, filha do carcereiro a qual conseguiu a permissão do pai para visitar Valentim. Os dois acabaram apaixonando-se e milagrosamente a jovem recuperou a visão. O bispo chegou a escrever uma carta de amor para a jovem com a seguinte assinatura: “de seu Valentim”, expressão ainda hoje utilizada. Valentim foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270.


O dia 14 de fevereiro, festa do santo, é considerado, em muitos países, como o dia dos namorados.

Este trabalho foi executado por mim, fonte da minha imaginação ..
Óbidos 2011

Fonte - Wikipédia livre

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Bolo verde




Para os mais cépticos aqui fica a receita do bolo verde, já fiz várias vezes e é bom e não sabe a agriões , juro ... mas cuidado quem come este bolo, pode dar-se o caso de começar a torcer pelo sporting.

Ingredientes

1 molho de agriões / ou meio molho de espinafres
Ovo: 5
1 cávena de óleo
2 chavenas de farinha
2 chavenas de açúcar
1 colher de chá de fermento

Preparação

Trituram-se só as folhas de agrião com as 5 gemas e o óleo. Numa tigela mistura-se o preparado com a farinha, o açúcar, o fermento e as claras em castelo.
Vai ao forno a cozer em forma untada.

É sempre bom fazer uma cobertura de preferência chocolate

Nota: existe uma opção, é juntar uma gelatina de limão

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Eugénio d' Andrade



Lindo!!!

Assim fremente e nua,
a luz só pode ser dos girassóis.
Estou tão orgulhoso
por esta flor difícil ter entrado pela casa.
É talvez o último verão,
tão feito de abandono é meu desejo.
Mas estou orgulhoso dos girassóis.
Como se fora seu irmão.

Eugénio d'Andrade

Mais um dos meus poetas preferidos ...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Os casamentos de Chagall ...
















Obras de Marc Chagall

Casamentos!

Os casamentos são tema recorrente na obra de Marc Chagall, com diferentes vibrações , umas vezes mágico e doce outras terrivelmente assustador ......
São diferentes noivas, – se bem que muitas vezes Chagall pintava nas noivas o rosto da mulher que amava mas os noivos são sempre diferentes.
Mas há sempre uma história silenciosa em cada obra sua, que se deixa sentir e imaginar, e, possivelmente seria esse o seu objectivo....

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Insecto e o Leão ...




Um inseto se aproximou de um Leão e disse sussurrando em seu ouvido: "Não tenho nenhum medo de você, nem acho você mais forte que eu. Se você duvida disso, eu o desafio para uma luta, e assim, veremos quem será o vencedor."
E voando rapidamente sobre o Leão, deu-lhe uma ferroada no nariz. O Leão, tentando pegá-lo com as garras, apenas atingia a si mesmo, ficando assim bastante ferido.
Desse modo o Inseto venceu o Leão, e entoando o mais alto que podia uma canção que simbolizava sua vitória sobre o Rei dos animais, foi embora relatar seu feito para o mundo. Mas, na ânsia de voar para longe e rapidamente espalhar a notícia, acabou preso numa teia de aranha.

Então se lamentou Dizendo: "Ai de mim, eu que sou capaz de vencer a maior das feras, fui vencido por uma simples Aranha."

Moral da História:
O menor dos nossos inimigos é frequentemente o mais perigoso.

Esopo


Vou dar inicio às pequenas historias de Esopo de La Fontaine, as historinhas que eu adoro e que nunca ninguem me contou quando eu era pequenina, mas, eu agora vingo-me !!!! li-as todas e conheco-as todas .... ah! ah! ah!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Álvaro Cunhal IV ...


A Tortura ....

Intervenção de Álvaro Cunhal no seu julgamento no Tribunal Plenário, de 2 a 9 de Maio de 1950:


“Como membro do PCP, como filho adoptivo do proletariado, cumpri os meus deveres para com o meu partido e o meu povo. É isto que interessa que fique provado (…).
De facto, na PIDE foram-me feitas variadas perguntas relacionadas com a minha actividade política.
A todas elas me recusei a responder com o fundamento - que mantenho - de que um membro do Partido Comunista Português (…) não tem quaisquer declarações a fazer à polícia política.
“Da primeira vez que fui preso, como me negasse a prestar declarações, algemaram-me, meteram-me no meio de uma roda de agentes (da PIDE) e espancaram-me a murro, pontapé, cavalo-marinho e com umas grossas tábuas com uns cabos apropriados. (…) Isto repetiu-se numerosas vezes, durante largo tempo, até que perdi os sentidos, estando 5 dias sem praticamente dar acordo de mim.”


A Defesa ....


A 2 de Maio de 1950 iniciou-se o julgamento de Álvaro Cunhal no Tribunal Plenário da Boa Hora. Na bancada da acusação, a PIDE. Na bancada de defesa, o seu pai, Avelino Cunhal e Luís Francisco Rebelo.
No entanto, o dirigente comunista encarregou-se da sua própria defesa e de improviso, nos dois primeiros dias do julgamento, falou durante mais de dez horas.


“Nós queremos que a política seguida em Portugal seja efectivamente portuguesa, seja determinada pelos interesses da maioria da população portuguesa e não pelos interesses de um ínfimo punhado de multimilionários que se tornam cúmplices dos imperialistas estrangeiros nos conselhos de administração das grandes companhias. Nós queremos que a independência portuguesa seja uma realidade vivida pelo nosso povo e não uma frase publicitária ...

Assim termina este meu pequeno tributo a este Grande!!!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Alvaro Cunhal III




Intervenção de Álvaro Cunhal no seu julgamento no Tribunal Plenário, de 2 a 9 de Maio de 1950:


“Como membro do PCP, como filho adoptivo do proletariado, cumpri os meus deveres para com o meu partido e o meu povo. É isto que interessa que fique provado (…).
De facto, na PIDE foram-me feitas variadas perguntas relacionadas com a minha actividade política.
A todas elas me recusei a responder com o fundamento - que mantenho - de que um membro do Partido Comunista Português (…) não tem quaisquer declarações a fazer à polícia política.
“Da primeira vez que fui preso, como me negasse a prestar declarações, algemaram-me, meteram-me no meio de uma roda de agentes (da PIDE) e espancaram-me a murro, pontapé, cavalo-marinho e com umas grossas tábuas com uns cabos apropriados. (…) Isto repetiu-se numerosas vezes, durante largo tempo, até que perdi os sentidos, estando 5 dias sem praticamente dar acordo de mim.”