quarta-feira, 29 de junho de 2011

As senhoras de Jeanne Loriaz ...

Jeanne Loriaz ....

Nasceu em 1954 em França, fez os seus estudos na à École des Arts Superieurs Appliques de Paris. Humor, provocação e delicadeza, penso que é o que nos quer transmitir com estes trabalhos deliciosos, destruindo completamente a noção comum de beleza feminina, não deixando no entanto as suas personagens de terem sempre uma forma sedutora, e extremamente feminina, captando imediatamente uma certa simpatia por todas elas. Despidas ou vestidas, sozinhas ou acompanhadas, personagens que nos fazem lembrar Botero, são na realidade um encanto.
Desde 1992, os seus trabalhos estão expostos em várias galerias, França, Holanda, Estados Unidos, Alemanha etc...



















































































































































































sábado, 25 de junho de 2011

O amor entre dois jovens ....


Uma pequena história sobre as recordações duma paixão vivida entre dois adolescentes. Uma paixão vivida com intensidade, inocência, insensatez, irresponsabilidade, magia, aventura e ousadia... podia ser paixão ou amor, não sei, só sei que era um desses sentimentos que os unia e importava, tudo o resto era secundário, quase supérfluo e irrelevante ...

"O amor era urgente e o mundo inteiro feito de nós dois."

“Os corrimãos, as costas doridas, as caixas de correio cheias de publicidade e o cheiro a cabelos, lembro-me bem. Éramos novos, não tínhamos nada ou então tínhamos tudo porque nada nos faltava. Não tínhamos casa para onde ir, nem cama onde dormir, nem mesa onde comer. Pouco importava. O amor era urgente e o mundo inteiro feito de nós dois.
Dormíamos muito agarrados em bancos de jardins, enroscados em vãos de escadas que tremiam e se arrepiavam com os nossos corpos. Poucas vezes nos estendemos em camas de reles quartos de pensões que nos faziam rir antes do nosso sangue, tão espesso e tão quente, nos sufocar. Não tínhamos dinheiro ou muito pouco. Pedíamos uma cerveja para os dois e ficávamos até baixarem as luzes e o empregado vir dizer que tínhamos de sair. Se um de nós adormecia de cansaço, a cabeça em cima dos braços cruzados sobre o tampo da mesa, o outro ficava de guarda, como um anjo. Éramos novos e não havia outra maneira. De três em três dias íamos a casa dos nossos pais, apontando para as horas em que eles não estavam, tomar banho, mudar de roupa e roubar chocolates e bolachas e depois voltávamos para as ruas, para as escadas, para o calor.
Quem chegava atrasado era punido com beijos. Os nossos pais não percebiam, destruíam-nos a cabeça cada vez que nos apanhavam. Discutíamos alto e depois fugíamos batendo a porta atrás de nós, um livro no bolso para ler um ao outro debaixo de uma lâmpada qualquer.
O tempo foi clemente, as escadas sossegadas, nos jardins os passadores de drogas ignoravam-nos. Ninguém nos surpreendeu no escuro de um vão de escadas, embora houvesse momentos de perigo, que faziam bater tão alto o coração que parecia inevitável trair-nos e, por milagre, só nós ouvíamos. Não fomos atacados, roubados, violados. Nada de mal nos aconteceu, nem medo tínhamos. O mundo inteiro era feito de nós dois e era o bastante. O amor era a única coisa urgente, tudo o resto era adiado, não importava, ficava para depois. As aulas, os testes, tudo o que antes fazia uma vida, e não era. Se quiseres não acredites. Por vezes também não acredito. Mas foi mesmo verdade. Foram meses de uma primavera que passou. E se ainda acontece falarmos ao telefone, nenhum de nós fala sobre isso, como se tivéssemos vergonha de ter sido assim. Se quiseres saber mais pergunta-lhe a ela, a mim não. Chama-se Raquel e não mora longe daqui( … ) “

Pedro Paixão, em "Nos teus braços morreríamos”

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Mozart - Lacrimosa

Moonlight Sonata

Schubert - Ave Maria (Opera)

Chopin, Grand Valse Brillante

Carl Orff: Carmina Burana

BOLERO-RAVEL



Hoje apeteceu-me rever as minhas músicas ...

Uns com olhos postos no passado .....


Uns, com os olhos postos no passado,
Veem o que não veem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, veem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
o dia, porque és ele.


Ricardo Reis
(1888-1935)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Diferenças ....



Vi num domingo à noite um filme que se chamava “ Terapia do Amor” que conta a história de uma mulher de 37 anos que se envolve com um jovem de 23, e a coisa funciona às mil maravilhas, é claro, porque um homem e uma mulher quando “estão a fim um do outro” como dizem os brasileiros, é maravilhoso, não ligando á idade, que ( neste momento isso já não interessa nada ...!). Mas, como sempre tudo é efêmero, no caso a mãe dele, que não gostava nada da idéia, mesmo sendo a rapariga uma psicóloga bastante esperta – aliás, psicóloga da própria nora, descobre ela, tarde demais. Deste “triângulo” surgem umas cenas engraçadas (Meryl Streep maravilhosa!!!!! como sempre) e eis também aquela parte do filme que faz pensar... que é sempre o que eu mais gosto !
Pensei. Mas não na questão da diferença de idade, tão comum nas relações actuais. Se antes era natural homens mais velhos se relacionarem com rapariguitas, agora as mulheres mais maduras (não existem mulheres velha antes dos cem! ) se relacionam com rapazes mais jovens e está tudo certo, até porque eles também tiram proveito, ou não será assim?.. A troco de quê gastar energia com miúdas cheias de inseguranças? Mais vale uma quarentona que perdeu a chatice natural de toda mulher e se tornou calma e serena, independente, auto-confiante e bem-humorada. São mais calmas, garantem o próprio sustento e não perdem tempo fazendo dramas por tudo e por nada. Qual o homem que não vai querer uma mulher assim? Se acham que este parágrafo foi uma defesa em causa própria e a de todas as mulheres que não têm mais 20 anos, acertaram ....
E agora a sério: o mais interessante daquele filme, a meu ver, foi mostrar que é difícil viver um relacionamento sabendo que ele vai terminar ali adiante, mas meus amigos, nunca será tempo perdido, fomos todos criados com esta mania do “pra sempre”, como se o objectivo de todos os casais ainda fosse o de constituir família.... Só que hoje muitas pessoas se relacionam sem nenhum outro objectivo que não seja o de estar feliz naquele exacto momento, mesmo sabendo que as diferenças de religião, idade, condição social ou ideologia poderão encurtar o relacionamento. Há cada vez menos iludidos. Presentemente, poucos são aqueles que atravessam uma vida tendo um único amor, então, vale o que está sendo vivido, o momento presente. “o dar certo” não está mais relacionado ao ponto de chegada, mas ao durante.
A personagem de Meryl Streep, depois de ter todos os chiliques normais de uma mãe que acha que o filho está perdendo em vez de estar ganhando com a experiência, organiza melhor seus pensamentos e diz, no final do filme, uma coisa que pode parecer fria para ouvidos mais sensíveis, mas é um convite para cairmos na realidade: “Podemos amar, aprender muito com este amor e partir pra outra”. O compromisso com a eternidade é opcional e ninguém merece ser chamado de frívolo por não fazer planos de se aposentarem juntos.
Não estou descrevendo o apocalipse. Ao contrário, triste é passar a vida a falar mal do próprio casamento, quando se está casado claro está, e colecionando casos extraconjugais e mentiras dolorosas. Melhor legitimar os amores mais leves, menos fóbicos, comprometidos com os sentimentos e não com as convenções. Estes penso que serão os melhores amores, que poderão, quem sabe, até durar para sempre, o que será uma agradável surpresa, jamais uma condenação.

Vai haver muita gente que pensa que “estou passada” não, estou bem, e penso que tenho toda a razão .... relativamente às diferenças de idade, ( não à Pinto da Costa!!!!! ) claro que tem de haver certos limites ....






Imagem net

quinta-feira, 16 de junho de 2011



A linguagem dos abraços

A linguagem dos abraços é a mais antiga do mundo….
nasceu mesmo antes das palavras .
No momento em que nasceram as pessoas, surgiu também com elas a linguagem dos abraços….
Quando nascemos, a mãe toma-nos com cuidado, para não nos assustar, e enlaça - nos …..
Sentirá o mesmo a terra quando o céu lhe toca ao longo da linha comprida a que chamamos linha do horizonte?
todos os abraços são diferentes…..
mas é fácil distingui – los….
o abraço entre uma borboleta e uma flor é doce como o néctar, mas bem curto e breve…..
ao entardecer , a árvore , quentinha , abraça o pássaro para que ele não tenha frio. Dormem abraçados pela noite dentro ….
a montanha abraça a pedra , o rio abraça o peixe , a nuvem abraça o arco íris e a lua abraça todas as estrelas .

Quanto ás pessoas , a sua linguagem dos abraços é multicolor. Porque é infinita a criatividade que um abraço contém . . .
Há os que gostam de se abraçar de verdade, corpo contra corpo , e os que gostam ao de leve, nas pontas dos dedos . Há os que gostam de se abraçar à distância , através dos olhos….
um abraço discreto e subtil .
Há abraços tão longos que nos percorrem dos pés à cabeça .
Há os que nos confortam e vencem a solidão…
Há ainda o carinhoso de boa noite , o especial de olá, o de súbito, e o de despedida …..
Há o abraço que quer dizer amo – te, o abraço que vem de muito longe no tempo , repleto de saudades , mergulha no nosso coração e jamais o esqueceremos …..

A linguagem dos abraços não contem quaisquer palavras, mas não é vazia de sentido .
Acima de tudo o que desejamos é que o nosso abraço seja eterno e infinito ...


Michal Snunt (autora Israelita)- "Vem e abraça - me"

Palavras estas cheias de sabedoria de Clarice Lispector....

“agarre bem e fique com tudo aquilo que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que a sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma.”

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fernando Pessoa nasceu hoje dia de Stº António











Fernando (Pessoa) nasceu no dia de Santo António ....
Nasceu e morreu em Lisboa, no dia de Santo António, deram-lhe o nome de Fernando (Pessoa) e deu-se o nome de Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Ricardo Reis.

Ainda assim nunca quis ser 'António'! Coisas de poeta!

Ele disse:
"Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?"

Fonte: Livro do Desassossego

domingo, 12 de junho de 2011

Estou farta de dietas ...


Renoir
Eis aqui o que não se usa ...

Eis aqui o que se usa ...
Figo com sua mulher ao vivo e a cores ...

A palavra preconceito, é ter uma ideia sobre qualquer coisa sem conhecer ou saber, para assim poder formar uma ideia. O preconceito infelizmente mexe muito com o mundo fazendo-o regredir por vezes.
Um preconceito que anda muito na moda é relativamente aos gordos. Hoje em dia os gordos, coitados são muito mal vistos ( e já nem falo nas grandes obesidades e nas mórbidas ainda menos, só naquelas pessoas que têm um quilitos a mais, segundo os padrões de hoje) . Porque se forem ver as pinturas da idade média, as belezas femininas retratadas pelos grandes pintores eram bem "cheinha" ...
Entretanto este conceito foi-se alterando, e agora as mulheres belas são mulheres muito magras, quase anoréticas. A televisão e as revistas vão impingindo essas imagens e vamos encaixando para sermos belas temos de lutar contra a nossa própria natureza, passar fome e deixarmos de ter formas corporais para sermos paus de virar tripas .
Os homens também têm a sua dose, ou são musculosos e todos ginasticados, como aparecem nas revistas, ou então são magros, senão ninguém os quer. Se tem um bocado de gordura a mais na barriga ou no estõmago, tem logo ar de desmazelado, Têm de ser metrossexuais, depilarem-se e outras tretas que a moda vigente ditar ...
Estou saturada desses preconceitos, de ver tanta gente deprimida por causa da porcaria das dietas !!!! É que assim sendo os gordos nunca namoravam nem arranjavam companheiros/as !!!
Para mim, o problema é outro, tem a ver mais com a própria auto-estima, do que a balança mas ... E quem diz que uma pessoa gorda se fizer dieta e ficar com um daqueles corpos "invejáveis" vai ser mais feliz por isso? e vai ter mais oportunidades em seduzir alguém?.
Há "gordos" famosos e tão bem resolvidos, como o Malato, o Fernando Mendes, o Miguel Dias e o Garfield o gato mais lindo do mundo? e muitos mais que agora não me recordo, ah! o Herman coitado passa horror para não engordar !!!
Ai, e as atletas do lançamento do martelo, é cada uma!! Mas se as vissem na rua sem o fato de treino e sem medalha ( são as melhores do mundo com medalhas) em fato normal, o que íamos pensar? - Ena pá que gorda, aquela senhora precisava de fazer dieta, deve ser só "enfardar, enfardar" e esquecem-se que atira o martelo a mais de 70 metros como eu vi à pouco tempo uma americana. No fundo, bem fundo os que enfardam preconceitos somo nós ... Quem me dera estar no lugar de alguma delas, ter uma medalha de ouro ao peito e ouvir e a cantar o hino do meu país em frente de milhares de pessoas num estádio cheio e a ver a minha bandeira a subir, subir subir......

sexta-feira, 3 de junho de 2011



"Isto" foi escrito ontem ( 1 de Junho ) feito por mim e dedicado a mim


Hoje estou sensível
Hoje estou menos eu
Hoje, só hoje, vou dar um tempo só para mim
Vou resistir aos meus impulsos
e controlar os meus sentimentos …..

Só hoje vou fingir que não estou cá …
Vou pensar menos….
Vou rir, rir feita parva mesmo que à força.

Só hoje, mas vou parar totalmente,
e ficar sem fazer nada ….
e vou ficar tão feliz !!!apenas por estar na minha presença …

Hoje eu não quero ouvir nem ver coisas ruins,
Porque hoje estou sensível e fácil de chorar …
e se eu chorar,
não terei condições de argumentar
e tudo vai sair errado!!

Hoje não quero nada complicado,
só quero ver com coisas bonitas, fazer coisas boas,
ouvir a minha musica,, andar de barco, dar pão ao cisne do parque,
e comer sem medo de engordar ….
e até, viver sem objectivos.

Só hoje quero ficar muda!!!
quero que o silêncio seja verdadeiramente silencioso,
e quero dormir como um anjo …

Hoje só quero ouvir palavras bonitas,
quero ouvir que sou importante!
quero abraços e muitos beijinhos
e muito carinho e quero colo!!!!
quero a família e quero os amigos,
e, essencialmente só quero estar com quem quer estar comigo ….

Hoje eu não quero que o tempo passe rápido!!!
hoje eu não quero que as horas corram muito depressa….