terça-feira, 30 de novembro de 2010

Recordar Fernando Assis Pacheco ...



Quando hoje ao fim do dia regressava a casa, ouvi uma musica que gosto muito a "Nini dos meus quinze anos" cantada pelo Paulo de Carvalho e de repente fez-se luz na minha cabecita e lembrei-me, mas quem escreveu esta musica foi Assis Pacheco, pois foi, então não é que me estava a esquecer de uma pessoa que eu gostava tanto? pois aqui fica um poema de Fernando Assis Pacheco, poeta, escritor, critico, jornalista que deixou esta vida, por onde andamos em 1995 ...


Seria o Amor Português ....

Muitas vezes te esperei, perdi a conta,
longas manhãs te esperei tremendo
no patamar dos olhos. Que me importa
que batam à porta, façam chegar
jornais, ou cartas, de amizade um pouco
— tanto pó sobre os móveis tua ausência.

Se não és tu, que me pode importar?
Alguém bate, insiste através da madeira,
que me importa que batam à porta,
a solidão é uma espinha
insidiosamente alojada na garganta.
Um pássaro morto no jardim com neve.

Nada me importa; mas tu enfim me importas.
Importa, por exemplo, no sedoso
cabelo poisar estes lábios aflitos.
Por exemplo: destruir o silêncio.
Abrir certas eclusas, chover em certos campos.
Importa saber da importância
que há na simplicidade final do amor.
Comunicar esse amor. Fertilizá-lo.
«Que me importa que batam à porta...»
Sair de trás da própria porta, buscar
no amor a reconciliação com o mundo.

Longas manhãs te esperei, perdi a conta.
Ainda bem que esperei longas manhãs
e lhes perdi a conta, pois é como se
no dia em que eu abrir a porta
do teu amor tudo seja novo,
um homem uma mulher juntos pelas formosas
inexplicáveis circunstâncias da vida.

Que me importa, agora que me importas,
que batam, se não és tu, à porta?

Fernando Assis Pacheco, in “A Musa Irregular”

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

" porque a vida é melhor quando estamos juntos "....






" porque a Vida é melhor quando estamos juntos " ... tem sido este o meu lema da caminhada de uma vida que já ultrapassou o meio século... e tudo para dizer o quê?

Atingi os 5000 Visitantes, Uah! que ganda loucura !!! mas que conquista para quem começa com 10, sem perceber nada disto; mas onde é que eu andei este tempo todo? ...

Muito, muito, muito obrigada a todos pelo carinho que lhes é devido, por terem a paciência de me lerem, e por perderem o vosso tempo comigo... o que posso dizer passado um ano de atrevimento e loucura em ter iniciado este blogue, é que estou bué de satisfeita! obriggaaaaaaaddddo/a

Maria Dulce Horta

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Violência Doméstica ....


Esta tambem é uma realidade ...


Violência doméstica já matou 39 mulheres este ano ...

(...) o relatório do Observatório das Mulheres Assassinadas (OMA) revela que 64 por cento do total de vítimas foram assassinadas às mãos daqueles com quem ainda mantinham uma relação, seguindo-se o grupo daqueles de quem elas já se tinham separado, ou mesmo obtido o divórcio (20 por cento).

Além das 39 mulheres vítimas mortais até agora registadas, foram também assassinadas mais onze pessoas (descendentes e outros familiares), perfazendo um total de 50, refere o mesmo documento.

Em relação às tentativas de homicídio até agora identificadas, a relação é semelhante, correspondendo 62 por cento a maridos, companheiros, namorados e outras relações de intimidade, 24 por cento a relações que tinham terminado (incluindo divórcios) e os restantes 14 por cento a descendentes directos e outros familiares.

A faixa etária onde este ano se registou maior número de homicídios foi no intervalo entre os 36 e 50 anos, correspondendo a 36 por cento das vítimas. Seguem-se o grupos etários das vítimas com idade entre os 24 e os 35 anos (31 por cento) e entre 18 e os 23 anos (25 por cento).

À semelhança dos anos anteriores são os meses de maio a Outubro que registam o maior número de homicídios, registando Julho o maior número, com oito mortes.

Por distritos, destacam-se negativamente Lisboa e Setúbal, com oito homicídios, seguindo-se Faro, Madeira e Porto, com quatro (...)

É isto que acabaram de ler que vem hoje no JN, é incrível ainda ler estas coisas em pleno século XXI, (e ter conhecimento ainda pior), quase inacreditável para os meus ouvidos, por isso voltei novamente com o tema da Violência Doméstica. Confesso que tudo isto me tira do sério, talvez por ser mulher, são realidades visíveis e audíveis (desculpem a redudancia) quase diárias, e sem um fim positivo à vista,antes pelo contrário, porque, um dos motivos existentes e talvez um dos principais, são os tais vínculos de afectos que são as dependências económicas das mulheres em relação aos homens,( não contando com aquelas que acham normal apanharem dos maridos ... ) e perante isto, nada se pode fazer, só denunciando e mais nada, sempre denunciando ... ...

até quando irei ler títulos como estes?

EU LUTO E LUTAREI SEMPRE PERANTE ESTE CRIME PUBLICO, DENUNCIANDO!!! ....

sábado, 20 de novembro de 2010

Votar es un placer



"Votar é um prazer" delicioso não?..

Mas que mentes tão ferteis para se lembrarem em produzir uma destas ... por achar algo bizarro a descoberta no votar é um prazer, deixo aqui e no facebook, pensando ao mesmo tempo, e se fosse em Portugal? como temos as presidenciais à porta,quem sabe se pega, mas, acho muito dificil chegar a atingir algum orgasmo votando no Cavaco ou em qualquer outro dos candidatos que se nos apresenta .... que pensam?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Rostos .... olhares de luz ...








Volto com o tema rostos de crianças; como já referi aqui neste blogue, fascinam-me estes rostos cheios de expressividade, imagens maravilhosas que falam, e como diz o poema, " montra despida de mentiras " ...

Rostos abertos,
almas vivas,
olhares de luz,
Sorrisos
Rostos fechados,
tristes,
doridos ...

O rosto…
Túnel do espírito,
Marca o compasso da vida
Corrida, parada, dançada.

O rosto…
Esboço, aguarela e pastel
do viver…
Emoção e paragem,
do sentir…

O rosto…
Paradoxo do tempo,
arte do engano,
tela pura de tons naturais,
burlesco de pastéis misturados
sem arte.

O rosto…
montra despida de mentiras
compradas, sem etiqueta.
de olhares húmidos, trocados
em reflexos de ser.

Rostos…
pregados, lisos, puros,
suplicantes, magoados, feridos,
perdidos, encontrados e gerados,
Rostos de todos nós ....


Rapinado à net, fotografias e poema (Maria Theresa).




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sábado, 13 de novembro de 2010

Rosa Esperança .... o melhor ainda está para vir !!!


Mulheres correndo na praia
Óleo sobre madeira
Pablo Picasso, 1922 - França



Para a Alda com todo o carinho e respeito que me merece ...


Rosa Esperança ...

Para Todas as Mulheres de Coragem e com a Grandeza de Espirito que conseguem ultrapassar situações dificeis, relativamente às partidas que a vida lhes/nos prega ... vai para "elas" este lindo poema de Ary dos Santos, um poema de amor que todas nós gostariamos de ouvir dos nossos amantes e maridos, não só em situações difíceis mas sempre ...


Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Hoje é dia de S. Martinho e, ... vai a adega e prova o vinho !



Encontrei este poema simples, mas que se aplica ao tempo presente, para todos um dia bem passado...

Em tempos que já lá vão
Ia-se provar o vinho novo no dia de são Martinho
Levávamos o copo na mão
Para se provar o novo vinho

O tempo foi-se passando
E ficou a tradição
Agora vive-se sonhando
De copo vazio na mão

Já não temos esses lazeres
Já nada é como outrora
Não há dinheiro para o comer!
Quanto mais vinho por hora...

Já não ganho para a sopinha
Quanto mais pró vinho novo
falta hoje há barriguinha
Tantas castanhas ao povo!

Elas estão caras meu Deus
Tudo é negócio porém
Desde que existe o euro
Não ganho eu, nem ninguém.

Esta vida está demais
Já não pode haver festejos
Foram-se de vez os reais
Come-se açorda de poejos.

E mesmo deste jeito, difícil está
Para dar-mos poejos arranjados
O tempo não muda, trás
Está o campo todo cercado.

O tempo é de reflectir
E tem que ser muito bem vertebrado
Não há algo que me faça rir
Pois está tudo por aqui classificado

Viva então esse dia
Que aqui está a ser recordado
Posso não ter alegria!
Mas quero-o sempre a meu lado.

Nem que seja só pró lembrar
E não haja nada para beber...
Festejo com água para ressacar.
Do tempo passado que vivi, no ter!..

Ler mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=21663#ixzz14zcr8FHG
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial No Derivatives

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A lenda do dia de S. Martnho...




Na sequência do que escrevi há dias, gosto das tradições, das lendas, e também o modo de falar das pessoas consoante os seus locais de nascimento, mas hoje é uma lenda, que quero falar, o Dia de S. Martinho ...
No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho .... "

Enão aqui fica a lenda, do porquê do dia de S. Martinho

Diz a lenda que Martinho, nascido na Hungria em 316, era um soldado. Era filho de um soldado romano. O seu nome foi-lhe dado em homenagem a Marte, o Deus da Guerra e protector dos soldados. Aos 15 anos vai para Pavia (Itália). Em França abraçou a vida sacerdotal, sendo famoso como pregador. Foi bispo de Tous.

Certo dia de Novembro, muito frio e chuvoso, estando em França ao serviço do Imperador, ia Martinho no seu cavalo a caminho da cidade de Amiens quando, de repente, começou uma terrível tempestade. A certa altura surgiu à beira da estrada um pobre homem a pedir esmola.

Como nada tivesse, Martinho, sem hesitar, pegou na espada e cortou a sua capa de soldado ao meio, dando uma das metades ao pobre para que este se protegesse do frio. Nessa altura a chuva parou e o Sol começou a brilhar, ficando, inexplicavelmente, um tempo quase de Verão.

Daí que esperemos, todos os anos, o Verão de S. Martinho. E a verdade é que S. Martinho raramente nos decepciona. Em sua homenagem, comemoramos o dia 11 Novembro com as primeiras castanhas do ano, acompanhadas de vinho novo. É o Magusto, que faz parte das tradições do nosso país.

Mais tarde terá tido uma visão de Jesus e decidiu dedicar-se à religião cristã. Faleceu a 8 de Novembro de 397 em Tours.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

É dificil ...


Pintura de Edward Hopper

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível
Precisamos acreditar, ter fé e lutar
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
realidade!!!

(CecíliaMeireles)

Uma notinha: Edward Hopper é um pintor que eu gosto bastante, apesar da pintura dele ser um bocado "pro depressivo" mas, não deixa de ser maravilhosa e brevemente irei falar dele ...

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Pão-Por-Deus o que é? ...





Pão-Por-Deus

Como acho muita graça a tradições e esta não foge à regra,o Pão-Por-Deus, então resolvi investigar o porquê de se dizer " vou ao Pão-Por-Deus "...

"Portugal, no dia de Todos-os-Santos as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos bandos para pedir o pão-por-deus de porta em porta. As crianças quando pedem o pão-por-deus recitam versos e recebem como oferenda: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, amêndoas ou castanhas, que colocam dentro dos seus sacos de pano. É também costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro. Em algumas povoações chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’.

Esta tradição teve origem em Lisboa em 1756 (1 ano depois do terramoto que destruiu Lisboa). Em 1 de Novembro de 1755 ocorreu o terramoto que destruiu Lisboa, no qual morreram milhares de pessoas e a população da cidade, que era na sua maioria pobre, ainda mais pobre ficou.

Como a data do terramoto coincidiu com uma data com significado religioso (1 de Novembro), de forma espontânea, no dia em que se cumpria o primeiro aniversário do terramoto, a população aproveitou a solenidade do dia para desencadear, por toda a cidade, um peditório, com a intenção de minorar a situação paupérrima em que ficaram.

As pessoas, percorriam a cidade, batiam às portas e pediam que lhes fosse dada qualquer esmola, mesmo que fosse pão, dado grassar a fome pela cidade. E as pessoas pediam: "Pão por Deus".

Esta tradição perpetuou-se no tempo, sendo sempre comemorada neste dia e tendo-se propagado gradualmente a todo o país.

Até meados do séc. XX, o "Pão-por-Deus" era uma comemoração que minorava as necessidades básicas das pessoas mais pobres (principalmente na região de Lisboa). Noutras zonas do país, foram surgindo variações na forma e no nome da comemoração. A designação indicada acima (Dia dos Bolinhos) em Lisboa nunca foi utilizada, nem era sequer conhecido este nome.

Nas décadas de 60 e 70 do séc. XX, a data passou a ser comemorada, mais de forma lúdica, do que pelas razões que criaram a tradição e havia regras básicas, que eram escrupulosamente cumpridas:

Só podiam andar a pedir o "Pão-por-Deus", crianças até aos 10 anos de idade (com idades superiores as pessoas recusavam-se a dar).
As crianças só podiam andar na rua a pedir o "Pão-por-Deus" até ao meio-dia (depois do meio-dia, se alguma criança batesse a uma porta, levava um "raspanete", do adulto que abrisse a porta).
A partir dos anos 80 a tradição foi gradualmente desaparecendo e, actualmente, raras são as pessoas que se lembram desta tradição.

No entanto, datas que não têm nada a ver com as tradições portuguesas, mas que comercialmente são mais "atraentes" para o comércio, são adoptadas rapidamente (caso do Dia das Bruxas, do Dia dos Namorados e afins).

Até a comunicação social, contribui para o empobrecimento da memória colectiva. Neste dia todas as estações de TV, Rádio e jornais, falam no Halloween, ignorando completamente o "Pão-por-Deus".

Fonte: Net - Wikipédia