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segunda-feira, 27 de março de 2017




Sentem-se ao lado de mulheres sábias e ouçam as suas histórias…..

“É preciso calma para escolher um vento em que valha a pena empreender o seu voo.”
-Sherazade-

As mulheres sábias são boas contadoras de histórias, são transmissoras de valores, afectos e universos carregados de simbolismo.
Sentarmo-nos ao lado das  nossas mães, amas, avós ou tias para ouvi-las com o coração é quase como um ritual, como um modo de nos conectarmo-nos com nosso passado para adquirir novas forças no presente.
Este tipo de legado oral que as gerações mais antigas transmitem normalmente tem um impacto muito maior do que a simples herança genética ou até mesmo material que podemos receber dos nossos pais ou avós. 
É muito certo que existe uma intencionalidade clara nessas histórias, porque são transmitidos valores, princípios e um universo carregado de magia, espiritualidade e inspiração que nunca chegamos a esquecer.
A mulher sempre foi uma grande transmissora de cultura, desde a antiguidade. Foi ela que reuniu aos seus pés e à barra da sua saia as gerações mais jovens para lhes oferecer o presente da palavra e da oferta  de uma história ou de uma lenda.
A voz feminina serviu durante muitos anos não só como um canal maravilhoso de aprendizagem, mas também como o suspiro que dá forma e inspira as mentes mais jovens em relação à mudança, a um progresso mais equitativo, mais audaz e, ao mesmo tempo, sensível.
Muitas vezes levantamos o olhar para Países vizinhos como os que se estendem ao longo do Egito, da Tunísia ou da Líbia e imaginamos a clássica mulher submissa, sem voz ou direito ao voto, enclausurada nesse tipo de cultura marcadamente patriarcal. No entanto, estamos mais ou menos errados pensar assim, ‘porque não é assim tão linear a mulher nunca ficou calada, na verdade, já conseguimos ouvir seus gritos, mas muito lentamente eu sei….reivindicando a necessidade de uma mudança na Primavera árabe de 2011.
Elas sempre estiveram aí, com sua presença, com seu olhar sábio e, acima de tudo, com a sua voz, assim como a mais emblemática de todas as contadoras de histórias: Sherazade”.
Não importa que o contexto em que elas habitem seja opressor ou discriminatório. Algumas já iniciaram revoluções pacíficas em cenários privados através da palavra, muitas vezes fora dos seus Países de origem, ( lá terá de ser !!!! ) através de uma linguagem que combina a sensibilidade e a inteligência, o tradicional e o desafio.
Por outro lado, é muito comum que as mulheres contem histórias de mulheres, pois é nestes relatos que se integra também a própria história da vida. São legados orais que costumam ser silenciados no âmbito público por serem incômodos ou revolucionários demais. Daí a importância desses espaços íntimos e cúmplices onde as avós, as mães ou as tias reúnem com os filhos e netos…..para lhes explicar o que outras mulheres foram capazes de fazer.
São formas extraordinárias através das quais o uso da palavra age como consciência crítica, como canalizadora do progresso e desse impacto que parte do subjetivo e do emocional, para chegar até o âmbito público e à realidade.

As histórias funcionam como forma de terapia ……
escutar uma história significativa e inspiradora funciona em nós como um verdadeiro “salto quântico”. Ou seja, nos impulsiona a um estado mais elevado,  onde devemos tomar consciência de uma verdade para iniciarmos a mudança.
“A história  repete-se? Ou se repete apenas como penitência para quem não sabe ouvi-la?”
-Eduardo Galeano-
Assim como, também não nos podemos  esquecer da forma como nosso cérebro reage quando ouve um relato transmitido de forma oral: não ficamos apenas com a mensagem, a nossa mente se encarrega também de deixar uma marca emocional, criando assim uma recordação significativa e permanente, e quase visual do acontecimento. Isso explica porque ainda agora, já a usar as nossas roupas de adulto, lembramo-nos com tanta precisão das histórias que as nossas avós e mães nos contaram na infância.
O uso da palavra é a arte de toda terapia, é a ferramenta usada para dinamizar, para confrontar e para propiciar o autodescobrimento e a mudança. Portanto, não podemos negar que todas essas histórias transmitidas pelas mulheres desde a antiguidade também serviram como uma forma de cura e de crescimento pessoal para as gerações seguintes.
Um relato quase sempre esconde uma série de valores e enfatiza certas prioridades de vida nas quais nos inspiramos. Não custa nada sentarmo-nos junto das nossas mulheres sábias, das nossas anciãs para ouvirmos as suas histórias do passado, aquelas que nos falam de outras épocas e de outros tempos onde muitas vezes existem experiências pessoais que não são muito conhecidas para nós.
Porque o amor fala sempre  o mesmo idioma, porque as decepções são experimentadas da mesma forma no passado e no presente. Vamos escutar as suas vozes, vamos participar deste legado que não se deve  perder e vamos procurar e encontrar instantes de cumplicidade com estas mulheres sábias para nos deleitarmos com as suas experiências, com os seus belos olhares que refletem o tempo e uma sabedoria de que todos nós somos merecedores.


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