Geralmente, sou assim.... Delicada e cuidadosa. Olho sempre para onde piso e morro de medo de magoar alguém...
Este blogue não é de leitura obrigatória mas, traduz-se por abrir janelas e deixar entrar sem nenhum medo outros olhares ... aqui, será o encontro com aqueles que tal como eu, apreciam as palavras, as letras a natureza, o sol a poesia e o amor. ......Todos nós somos feitos de pedaços, pedaços de gente, pedaços de terras por onde passamos, pedaços de cultura, de arte, de música, de vivências, de amor ou tristeza, cabendo a cada um saber tirar partido do melhor pedaço que há em si.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Pensamentos do dia .......
PENSAMENTOS DE MUITOS DIAS
UMA AMIGA ENVIOU-ME ESTES PENSAMENTOS UM BOCADO LÍRICOS MAS COM ALGUMAS GRAÇA. DECIDI PARTILHA-LOS PORQUE SORRIR E RIR SÃO FAZ MUITO BEM A SAUDE!!!
O SEXO É COMO UMA ESTAÇÃO DE SERVIÇO:
ÀS VEZES RECEBE-SE UM SERVIÇO COMPLETO;
OUTRAS VEZES TEM QUE SE PEDIR PARA SE SER ATENDIDO
E HÁ VEZES EM QUE TEMOS QUE NOS CONTENTAR COM O SELF-SERVICE!
AS CALORIAS SÃO PEQUENOS ANIMAIS QUE MORAM NOS ROUPEIROS E QUE DURANTE A NOITE APERTAM A ROUPA DAS PESSOAS.
OS PROBLEMAS DO NOSSO PAÍS SÃO ESSENCIALMENTE AGRÍCOLAS:
EXCESSO DE NABOS; FALTA DE TOMATES E MUITO GRELO ABANDONADO.
O TRABALHO FASCINA-ME TANTO QUE ÀS VEZES, FICO PARADA A OLHAR PARA ELE.
O CASAMENTO É UM RELACIONAMENTO A DOIS, NO QUAL UMA DAS PESSOAS ESTÁ SEMPRE CERTA E A OUTRA É O MARIDO.
A MULHER ESTÁ SEMPRE AO LADO DO HOMEM, PARA O QUE DER E VIER; JÁ O HOMEM, ESTÁ SEMPRE AO LADO DA MULHER QUE VIER E DER.
SE FORES CHATA AS TUAS AMIGAS, PERDOAM;
SE FORES AGRESSIVA AS TUAS AMIGAS, PERDOAM;
SE FORES EGOÍSTA AS TUAS AMIGAS, PERDOAM;
AGORA EXPERIMENTA SER MAGRA E LINDA!
TÁS FODID@!
A FALTA DE SEXO PROVOCA AMNÉSIA E OUTRAS MERDAS QUE AGORA NÃO ME LEMBRO...
A DIFERENÇA ENTRE PORTUGAL E A REPÚBLICA CHECA É QUE ESTA TEM O GOVERNO EM PRAGA E PORTUGAL TEM A PRAGA NO GOVERNO.
NÃO PROCURES O PRÍNCIPE ENCANTADO. PROCURA, ANTES, O LOBO MAU: OUVE-TE MELHOR; VÊ-TE MELHOR E AINDA TE COME.
TODA A GENTE SE QUEIXA DE ASSÉDIO SEXUAL NO LOCAL DE TRABALHO.
OU ISTO COMEÇA A SER VERDADE OU ENTÃO DESPEÇO-ME!!!
A MULHER DO AMIGO É COMO A BOTA DA TROPA; TAMBÉM MARCHA!
O CÉREBRO É UM ÓRGÃO MARAVILHOSO. COMEÇA A TRABALHAR LOGO QUE ACORDAMOS E SÓ PÁRA QUANDO CHEGAMOS AO SERVIÇO.
O TEU COMPUTADOR É COMO UMA CARROÇA: TEM SEMPRE UM BURRO À FRENTE!!!
AS HIERARQUIAS SÃO COMO AS PRATELEIRAS, QUANTO MAIS ALTAS MAIS INÚTEIS.
OS TRABALHADORES MAIS INCAPAZES SÃO SISTEMATICAMENTE PROMOVIDOS PARA O LUGAR ONDE POSSAM CAUSAR MENOS DANOS: A CHEFIA.
QUAL A DIFERENÇA ENTRE UMA DISSOLUÇÃO E UMA SOLUÇÃO?
UMA DISSOLUÇÃO SERIA METER UM POLÍTICO NUM TANQUE DE ÁCIDO PARA QUE SE DISSOLVA.
UMA SOLUÇÃO SERIA METÊ-LOS A TODOS.
CHOCOLATE NÃO ENGORDA, QUEM ENGORDA É VOCÊ
Atentado à cultura !!!! .... ???????

(retirado de um blogue do sapo )
Nem dá para comentar !!! ( mas tenho uma opinião, que brevemente não resisto e direi aqui )... por agora, o Senhor que escreveu este artigo diz tudo ...
UM ACTO DE VANDALISMO-GRAÇA MORAIS NÃO MERECIA!
No post que publicamos em 29 de Julho de 2007, manifestamos o nosso descontentamento pelo estado de abandono em que se encontra o painel de autoria da ilustre figura da cultura portuguesa, que é GRAÇA MORAIS, colocado na zona envolvente da estação ferroviária de Rio de Mouro, no município de Sintra.
Há poucos dias colocaram iluminação numa das componentes da obra de arte, que está nas paredes do viaduto do caminho de ferro. Pensámos: finalmente, vale mais tarde que nunca! Verificamos hoje que era melhor terem ficado quietos, porque:
OS TUBOS COM OS CABOS ELÉCTRICOS, AS CAIXAS DE APARELHAGEM E AS BRAÇADEIRAS DE FIXAÇÃO, foram instalados directamente sobre os AZULEJOS DO PAINEL, vandalizando assim a obra de GRAÇA MORAIS!
Não há palavras para tamanho atentado à cultura. Quem tem culpa? Não sei, mas daqui lanço um apelo reparem rapidamente esta asneira, para continuar a ter esperança que em Portugal ainda é possível acreditarmos nas instituições. Estou muito indignado! Se estiverem de acordo os que visitam este "blog" protestem.
Obrigado
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
José Afonso - Enquanto Há Força
Parabens Zeca !!!! ( 25 anos de ausência mas até nem demos por isso!!!!!
sábado, 11 de fevereiro de 2012
E, hoje a música é esta ....

E hoje, a musica é esta ...
Um dia alguém me disse; olha menina, " tens de dançar conforme a música" …..
Naquele momento senti-me ameaçada, pois a música não era a que eu gostava. Pareceu-me que o chão me fugiu debaixo dos pés. Mas, parei para pensar e passados alguns dias, tomei algumas providências radicais talvez, mas foram as minhas providências de imediato, entrei numa boa escola de dança, e aprendi a ler partituras. Usei a clave do Sol para abrir as portas do céu que existe no meu imaginário. Transformei a palma da minha mão num violino! Envolvi-me com musas, semifusas, bailarinas e colcheias...
Comecei, primeiro tocando instrumentos de corda, a seguir os de sopro e por fim os de percussão. Fui-me então aprimorando na música com determinação, tornei-me numa “compositora criativa”, empresária meia louca, e numa maestrina p’ro Zen. E hoje, sou a líder da minha própria banda!!!
Portanto meus amigos, eu agora já só danço conforme a música…. mas,
ah! ah! a música que eu escolho!!
Maria Dulce Horta
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
18.000 - obrigada ...
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Colarinhos de Escritório !!! Sem palavras .....

( ... ) Originalmente desenvolvidos como “Colarinhos de Escritórios”, estas golas especiais foram criadas para os Openspaces de trabalho. Com estes colares os funcionários concentram-se mais nas tarefas que estão à frente deles .... e dispensam que a Entidade Empregadora gaste dinheiro nas habituais divisórias.
Já estou a imaginar entrar na CGD, por exemplo e deparar com este absurdo!!
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Eu gosto de mim, tu gostas de ti, e ele gosta .... muito d´ele ....
E ninguem melhor para dar vida a estas palavras ......Ao navegar neste mundo tão incrível de imensas palavras, de tantos assuntos diversificados, encontrei este texto de quem desconheço a autoria. Li-o e senti-me bem ao lê-lo. Por esse motivo decidi partilhar-lho……
Atão vamos lá, fazer um esforço para este PENSAMENTO POSITIVO …..
Eu ORDENO a retirada de minha mente de todas as crenças, conceitos, pensamentos, imagens, frases, pessoas negativas e TUDO que me limitou até aqui no meu crescimento moral, profissional, financeiro e espiritual.
Se há algum inimigo, revelado ou não, querendo me atingir, que seja iluminado neste momento se tornando meu amigo, porque na minha vida só há lugar para amigos.
ABENÇOE! ABENÇOE! ABENÇOE!
Coisas maravilhosas chegam a minha vida neste momento, neste dia e por toda a eternidade.
Eu conquisto os meus objectivos com facilidade.
Vivo A minha vida com alegria, calma, serenidade e harmonia comigo e com todo o universo.
Agradeço a tudo que sou e tudo que tenho.
Sei que o poder da consciência é ilimitado e que a Consciência Una está comigo em todos os lugares.
Reconheço que sou um ser em constante movimento de evolução.
Escolho agora meu progresso físico, mental, emocional e espiritual e agradeço por meu estado de bem-aventurança.
Sou feliz porque tenho sempre o que preciso ….
DENTRO DE MIM ESTÃO VIRTUDES, QUALIDADES, COMPETÊNCIA, SABEDORIA E INTELIGÊNCIA QUE FAZEM A MINHA VIDA FELIZ, REALIZADA E AMPLA.
Supero quase sempre qualquer tipo de obstáculo.
Diante de mim se desenha um futuro de muita acção, construção e alegria.
AS OPINIÕES DOS OUTROS SÃO MULETAS. QUEM TEM PERNAS FORTES COMO EU, NÃO PRECISA DE MULETAS.
Eu sou saudável.
Os meus músculos são fortes, minha pele é firme, suave e viçosa, cheia de jovialidade.
As minhas células se renovam normal e ordenadamente, assim como meus hormônios.
Meu organismo funciona harmonicamente e eu sou só saúde, paz, vivacidade, beleza e alegria.
É MARAVILHOSO, MARAVILHOSO, MARAVILHOSO!
O dinheiro sempre flui para mim em avalanche e abundância, pois a riqueza pertence-me e faz parte a todo instante da minha vida.
Os meus amigos me abrem portas oportunas e vantajosas ao meu crescimento, que sempre contagia e espalha prosperidade e optimismo com todos que convivo.
OBTENHO SEMPRE ALEGRIA NO CONTACTO COM TODOS.
A RIQUEZA ESTÁ AQUI.
O mundo da Consciência Una é aqui e já é perfeito.
OBRIGADO! OBRIGADO! OBRIGADO!
A minha vida é do tamanho dos meus sonhos!
SOLUÇÃO! SOLUÇÃO! SOLUÇÃO.
Sou perfeita, sou saudável em corpo e consciência, alegre e forte, tenho amor e muita sorte, sou feliz, inteligente, vivo positivamente, tenho paz, sou um sucesso, tenho tudo o que peço, acredito firmemente no poder da minha mente!
EU SOU, EU POSSO, EU CONSIGO, EU REALIZO
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Anos 60/70 ....

" Uma loja de pronto-a-vestir de Lisboa vende por semana centenas de calças compridas a mulheres de todas as idades, mas a maior clientela é constituída por jovens".
Começava assim uma reportagem, publicada no ano de 1969, sobre as primeiras mulheres portuguesas a usar calças. Marcelo Caetano era então o primeiro-ministro de Portugal, herdando um país de conservadorismo salazarento. Tanto, que se punha a hipótese de haver um enquadramento legal que impedisse as mulheres de usarem calças: "A explosão do uso das calças provocou nas últimas semanas, em Portugal, certa controvérsia nos liceus, escolas e empresas, pois nem em toda a parte se sabe oficialmente da existência (ou não) dum dispositivo oficial sobre o assunto".
Menos mal, o Ministério da Educação afirmava que não existia nenhuma regulamentação oficial que as proibisse. Havia apenas uma disposição dizendo que as alunas e professoras se deviam apresentar vestidas com dignidade e decência.
Euzinha, faço parte deste grupo das calças, mas de ganga e tambem da mini-saia que fui chamada ao meu Director-Geral por não poder trajar " dessa maneira" num serviço público ....
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
QUANTAS PESSOAS NO MUNDO ESTÃO ACTUALMENTE AMEAÇADAS DE MORRER DE FOME?

Esta foi a fotografia menos chocante que encontrei para ilustrar este texto ...
QUANTAS PESSOAS NO MUNDO ESTÃO ACTUALMENTE AMEAÇADAS DE MORRER DE FOME?
O ultimo ralatório da FAO, avaliava em mais de 30 milhões o número de pessoas que morreram de fome em 1999 e, para o mesmo período, em mais de 839 milhões de seres atormentados pela desnutrição grave e permanente. São crianças e adultos, que devido à falta de alimentação, padecem de lesões frequentemente irreversíveis. Vão morrer num curto prazo de tempo, ou vegetam num estado de deficiência grave – cegueira, raquitismo, ou a sua capacidade cerebral ficará afectada no deu desenvolvimento .
Partilho estas palavras/texto que encontrei “por aqui” algures na Net, sobre esta catástrofe assustadora e Mundial, que nós aqui bem longinho ( não é que não exista tb aqui, mas!!!! ) por vezes nos abstraímos, não sei bem se é a palavra exacta, e dizemos, ah! pois, nhan, nhan, nem sei o que. hei-de fazer hoje para o almoço, ontem já dei carne hoje tem de ser peixe, olha, que queres para o lanche? Pão com fiambre, chourição, mortadela, queijo? Iogurte de …ou sumo de??? etc, etc, etc, Socorroooo!!!! estou a ficar nervosa só de escrever isto, após o que acabei de ler, avivando a minha memória ….
( … ) E, onde vivem as pessoas mais gravemente subalimentadas?
No sul e leste da Ásia. 18% dos homens, mulheres e crianças padecem de uma severa desnutrição. Na África, o seu número alcança 35% da população continental. Na América Latina e no Caribe, 14%. As três quartas partes dos “gravemente subalimentados” do planeta são gente do campo; a outra quarta parte são habitantes das periferias que se amontoam em torno das megalópoles do Terceiro Mundo. ( fonte net)
— A nossa Terra poderia alimentar convenientemente e cada dia todos os seus habitantes?
— Não só isso, mas poderia alimentar pelo menos o dobro da população mundial actual. Hoje em dia somos quase seis biliões de seres humanos na Terra. A FAO, há mais de quinze anos, elaborou um relatório no qual assinalava que o mundo, no estado actual das forcas de produção agrícola, poderia alimentar sem problema mais de doze biliões de seres humanos. Alimentar quer dizer fornecer a cada homem, mulher e criança uma ração equivalente a 2400 ou 2700 calorias diárias, uma vez que as necessidades alimentares variam segundo os indivíduos, em função do trabalho que realizam e das zonas climáticas onde vivem.
— O flagelo da fome não é então uma fatalidade?
— De modo algum. Se a distribuição de alimentos na Terra fosse justa, haveria comida suficiente para todo o mundo.
— Por que razão nunca ninguém nos fala na escola da fome no mundo e das pessoas que a provocam e daquelas que a combatem?
— Para mim, isso também é um mistério. Muitos professores de institutos e de escolas são pessoas abertas, generosas e estão profundamente solidarizadas com a luta dos povos do Terceiro Mundo. Muitos deles alertam os seus alunos quando se declara uma fome grave e promovem-se colectas públicas. No entanto, não sei de nenhuma escola onde o tema da fome, que mata todos os dias mais gente do que todas as guerras do planeta juntas, figure no seu programa. Não existe nenhum tipo de ensino onde se analise, se discuta o problema da fome, se examinem as suas raízes e os meios de lhe dar um fim.
Mas os técnicos internacionais dizem as coisas bem claras. Ouve, por exemplo, esta frase que é a conclusão de um relatório da FAO de 1998: Recent trends give no room for complacency as progress in some regions has been more than offset by a deterioration in others. (Os últimos dados não permitem contemplações, uma vez que o progresso numas regiões tem sido anulado pela deterioração noutras.) Isto quer dizer que as batalhas ganhas numa frente são imediatamente anuladas pelas derrotas sofridas noutra.
Os bons sentimentos não bastam, são um luxo para os filhos dos ricos. A calamidade da fome manifesta-se de mil maneiras. O seu aparecimento e os seus efeitos exigem análises precisas e pormenorizadas. Mas a escola não diz nada, não cumpre a sua função. Os adolescentes frequentemente saem dela cheios de bons sentimentos e de uma vaga convicção de solidariedade, mas nunca com um verdadeiro conhecimento, uma clara consciência das origens e dos estragos da fome.
— Como se a fome fosse um tabu?
— Exactamente. Um tabu que dura há muito tempo. Já em 1952 o brasileiro Josué de Castro dedicava todo um capítulo do seu célebre livro Geopolítica da fome a esse “tabu da fome”. A sua explicação é interessante: as pessoas sentem-se tão envergonhadas por saber que uma grande parte dos seus semelhantes morrem por falta de alimento, que ocultam o escândalo com um espesso silêncio. Esta vergonha é compartilhada pela escola, pelos governos e pela maioria de nós.
O nível de alimentação está em relação directa com o nível de bem-estar e com o nível de saúde das pessoas. Por um lado, onde não se come o suficiente, encontramos pobreza, miséria, desnutrição, doença, fome e morte. Por outro, no extremo oposto, onde há meios de subsistência e alimentos, encontramos esperança desde o nascimento, saúde e vida.
Já no ventre da mãe, o bebé sofre as consequências desta desigualdade, inclusivamente na constituição de seu intelecto. A desnutrição da mãe durante a gestação – quando o bebé deve desenvolver o conjunto de células que o constituirão como um ser dotado de todas as suas faculdades – diminui as possibilidades de que a criança nasça, pois a placenta – alimento, água, oxigénio e anticorpos do bebé instalado no útero – não escapa aos danos causados pelas carências de alimentação. A mãe deve nutrir-se convenientemente desde a formação do embrião.
A constituição física e intelectual da criança, a sua capacidade de desenvolvimento e a sua força para o trabalho também dependem da alimentação que vai receber desde o momento do seu nascimento. A criança chega ao mundo num ambiente condicionado: ou com muitos privilégios ou com muitas privações. Nos primeiros anos da história da humanidade, o mundo era aquele no qual o macho mais forte se apropriava da comida da qual necessitavam a mulher e a criança. Hoje, a história não mudou em absoluto, porque os poderosos continuam apropriando-se da comida.
— Por quê esses esqueletos da fome? Por quê esse martírio quotidiano, interminável, para tantas centenas de milhões de seres humanos?
— A causa principal das hecatombes por subalimentação e por fome aguda é a desigual distribuição das riquezas do nosso planeta. Esta desigualdade é negativamente dinâmica: os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Em 1960, 20% dos habitantes mais ricos do mundo desfrutavam de uma renda 3 1 vezes superior à dos 20% mais pobres. Em 1998, o rendimento dos 20% mais ricos é 83 vezes superior à dos 20% mais pobres.
A concentração do rendimento e das riquezas nas mãos de uns poucos progride a grande velocidade.
O conceito de desigualdade soa-nos irreal e o seu significado é insuficiente. O termo aparece num mundo que já não se assusta com as estatísticas. As cifras acima citadas escondem uma realidade de sofrimento e de desespero. A desigualdade negativamente dinâmica que rege a ordem actual do mundo produz a seguinte situação: por um lado, um poder político, económico, ideológico, científico e militar sem limites identificáveis, exercido por uma escassa oligarquia transnacional; por outro, a falta de vida, o desespero e o flagelo da fome vividos por centenas de milhões de seres anónimos. A oligarquia decide o destino da multidão. A massa de vítimas anónimas padece, impotente, a sua própria agonia. Só a brutal imbecilidade de um regime de classes sociais existentes antes do seu nascimento, de ideologias discriminatórias, de privilégios defendidos pela violência explica a desigualdade entre os seres humanos.
A política deve velar para que todos possam saciar a fome. Seria horrível tomarmos como natural o facto de todos os anos morrerem dezenas de milhões de pessoas por causa da subalimentação crónica e da fome aguda. A fatalidade não preside à ordem mortal do mundo. Basta lembrar que no actual estado das forcas produtivas agrícolas, seria possível alimentar sem problemas doze mil milhões de pessoas. Alimentar significa proporcionar a cada indivíduo 2600 calorias por dia. A população actual do mundo chega a menos de seis mil milhões de pessoas. Conclusão: estamos diante de uma falta contingente e não de uma falta objectiva de alimentos. Por outras palavras, o problema da grave fome no mundo é um problema social. As centenas de milhões de pessoas que morrem todos os anos de subalimentação aguda morrem por causa da injusta distribuição de alimentos disponíveis no planeta.
A Acção contra a Fome, organização não-governamental (ONG) de um compromisso exemplar, constata que “um grande número de pobres no mundo carece do alimento necessário, na medida em que a produção alimentar se ajusta à demanda solvente” Quem tem dinheiro, come. Quem não tem, morre lentamente de fome.
Trata-se portanto de civilizar o actual jugo do capitalismo selvagem. A economia mundial é fruto da produção, distribuição, intercâmbio e consumo de alimentos. Afirmar a autonomia da economia em relação à fome é absurdo ou, pior ainda, é um crime. Não se pode abandonar a luta contra essa catástrofe ao livre jogo do mercado.
Todos os mecanismos da economia mundial devem submeter-se a este imperativo primordial: vencer a fome, alimentar convenientemente todos os habitantes do planeta. Para impor este imperativo é preciso criar uma estrutura jurídica internacional, apoiado em tratados e normas.
Jean-Jacques Rousseau escreveu: “Entre o fraco e o forte, é a liberdade que oprime e a lei que liberta”. A liberdade total do mercado é sinónimo de opressão; a lei é a primeira garantia da justiça social. O mercado mundial necessita de normas e de uma restrição imposta pela vontade colectiva dos povos. A luta contra a maximização do lucro como única motivação dos protagonistas que dominam o mercado e a luta contra a aceitação passiva da miséria são imperativos urgentes.
O ser humano é o único vertebrado que pode sentir na sua consciência o sofrimento do outro.
Será que a constituição de uma consciência da identidade, da solidariedade radical com aquele que sofre se infere de um projecto utópico? Não. No decurso da história já ocorreram alguns saltos qualitativos análogos. Por exemplo, o nascimento do Estado. Numa época remota, os humanos fizeram uma escolha fundamental: então, a solidariedade, a identificação com o outro limitavam-se à família, ao clã, por conseguinte, àqueles cujo rosto era conhecido e cuja presença física era sensível; com o nascimento da nação e do Estado, o ser humano fez-se pela primeira vez solidário com aqueles que não conhecia e com os que provavelmente nunca encontraria. Acabava de nascer um sentimento de identidade nacional, algumas instituições de solidariedade, uma consciência suprafamiliar, uma lei comum.
A única identidade humana válida é a que nasce do encontro real ou imaginário com os outros, do acto de solidariedade.
Não pode haver um mundo dentro do mundo, uma inserção de bem-estar num mundo de dor. É inaceitável uma economia mundial que relega para o não-ser a sexta parte da humanidade. Se o flagelo da fome não desaparecer rapidamente do nosso planeta, não haverá humanidade possível. Portanto, é preciso reintegrar na humanidade essa “fracção sofredora”, que hoje está excluída e perece na noite.
(fonte: net)
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