quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Ainda o Fado ...




Do blogue "arrastão" , blogue que sigo com alguma frequência , transcrevo este texto que gostei imenso, e que me desculpe o Daniel Oliveira ... a Internet tem este grande problema, cobiçar o alheio com alguma frequência, não se conseguir resistir à tentação e "sacar", parabens gosto deste texto e penso que serve de carapuço para muito boa gente que acha que gostar de fado é regredir no tempo ....

( ... ) acabei, por essa idade, por me especializar no género. Até perceber - felizmente a tempo para não me envergonhar em público - que o fado exigia mais e não menos talento. Só que o meu handicap familiar acabou por ter a sua utilidade: descobrir um género com poucos adeptos, à altura, no meio em que cresci. Acabei por me tornar, pelas piores razões, mas que mal faz, num apaixonado pelo fado. Desde muito cedo. Junta-se a todas as razões uma outra: o fado é a voz da cidade onde tive o privilégio de nascer e viver. Uma das mais maravilhosas cidades do mundo.

Quando era criança e jovem o fado tinha-se tornado num género maldito em alguns meios. Nesse tempo, quase tudo, na nossa elite intelectual, se media pela bitola política. Uma bitola bem simples: o que era bom para a ditadura era péssimo para os novos tempos. Se a trilogia "Fado, Fátima e Futebol" era o Portugal de Salazar, então só podia ser sinal de atraso e alienação. Mais por gosto pela provocação do que por qualquer elaboração intelectual, acabei por me converter a dois dos três F's (um deles tardiamente). Safei-me, apesar de tudo, das peregrinações aos arredores de Ourém. E acrescentei um "t", esse sim, ainda hoje e cada vez mais uma heresia: a tourada. Fica para outra oportunidade.

Na verdade, a hegemonia cultural da esquerda - num tempo em que o posicionamento político era tragicamente determinante para a construção do gosto - provocou, por reação à mitologia salazarista em torno da identidade povo português, um enorme distanciamento entre a intelectualidade nacional e a maioria dos portugueses. O povo era, aos olhos de muitos intelectuais, o de Alves Redol e das excelentes recolhas de Miguel Giacometti. No caso do fado, a sua conotação política era especialmente idiota. O fado de Lisboa, nas suas várias categorias, não tem cor definida porque, como tudo o que consegue captar a "alma" de um povo (não gosto da expressão, mas não encontro melhor), tem todas elas. Foi marialva, foi aristocrata, foi anarquista, foi marginal, foi beato. Foi, nas suas origens, mal visto pela Igreja. É natural. Não é por acaso que a primeira fadista que conseguimos identificar era uma prostituta de origem cigana.
O tempo passou e, felizmente, a ideologia deixou de ter o insuportável ascendente sobre a cultura. Homens como José Mário Branco, que em tempos cantaram que "o fadinho choradinho só semeia ilusões", acabaram por se transformar em empenhados criadores e produtores da redescoberta do fado. Amália Rodrigues dera os primeiros passos, ao cantar grandes escritores. Mas foi a partir dos anos 90 que o fado saiu do gueto cultural em que o queriam enfiar. O triste desaparecimento de Amália (maltratada no advento da democracia), acabou por fazer o resto. Surgiram novas vozes e novas formas de interpretar. Para horror de alguns puristas do fado, ele foi mesmo reinventado. Fadistas como Camané, Carminho, Ana Moura ou Aldina Duarte (outros escolherão outros nomes, dependendo dos seus gostos) permitiram que o fado deixasse de ter de viver na sombra de Severa, Marceneiro, Argentina Santos ou Amália.

A escolha, por parte da UNESCO, do fado como património imaterial da humanidade é uma excelente notícia. Não por precisarmos de qualquer reconhecimento internacional, que estranhamente parece obcecar sempre tanta gente. Nem sequer, por favor não, porque assim alimentamos uma "marca" de Portugal para o exterior. Estou cansado que tudo seja sempre reduzido a tão pouco. Apenas porque talvez esta escolha nos ajude a dividir com mais gente esta forma sublime de nos definir como povo. Porque o fado, na sua extraordinária originalidade, não se limita a ser mais um contributo para o exotismo da "world music". É único!!!

Mas a nossa satisfação com esta escolha tem de nos obrigar a pensar no que andamos a fazer. Graças à Câmara Municipal de Lisboa - através do Museu do Fado -, a Carlos do Carmo e a Rui Vieira Nery, sentimos este orgulho repentino no meio de tanta depressão. Mas num momento em que nos domina um absoluto desprezo pela criação artística e pela cultura - que já começa a raiar o insulto -, talvez seja altura de recordar de novo óbvio: nenhum povo existe sem criação cultural (o fado de Lisboa é, se tivermos como medida a nossa história como nação, recente) e sem património que se reinvente. Hoje estou feliz. Porque daremos um pouco mais do que somos ao mundo. Mas não me esqueço, nem por um segundo, do mal que estão a fazer à criação artística, ao direito à sua fruição e ao nosso património cultural. Tratada sempre como parente pobre por todos os políticos, a nossa cultura é, na verdade, a única coisa que faz de nós um povo.






segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pintura de Romarina Passos em chocolate



Este quadro foi pintado pela artista plástica Romarina Passos ( pintura de Josefa d'Óbidos ) numa barra de chocolate, pois é, quase que nem dá para acreditar. Foi no fim de semana passado numa feira do chocolate que decorreu em Grandola.

Um trabalho que eu considero que ficou brilhante; um engraçado desafio feito pela Bombondrice à pintora Romarina e felizmente muito bem aceite, porque penso que pintar em chocolate sem ser profissional desta arte, ( chocolate ) não deve ser nada fácil ..... ambas estão de parabens !!!! e venham muitas mais ....

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Mais uma vez o meu mais forte ataque à violência doméstica .....



Por favor!!!!! denunciem sempre, sempre caso tenham conhecimento de casos de " violências" , à policia a uma amiga, ao médico, à assistente social, ao padre, ao vizinho do lado até ao padeiro ou à senhora do supermercado,mas fale diga, conte !!!!!!

" A APAV lança dura campanha contra a Violência Doméstica... "

25.11.11 por SAPO

“Em 2010 31.679 mulheres caíram e bateram com a cara no lavatório em 3 locais diferentes.”

Esta é uma das mensagens da nova campanha da APAV, lançada no âmbito do Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vitima (APAV) decidiu assinalar o dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres lançando uma nova campanha de sensibilização.

O vídeo, desenvolvido em parceria com a EuroRSCG, mostra imagens duras de violência entre um casal que poderão chocar as pessoas mais sensíveis (Clique aqui para ver o vídeo).

Centrada principalmente na violência doméstica, esta campanha procura alertar para a necessidade de não se tolerar qualquer forma de violência exercida contra as mulheres.

“Em 2010 31.679* mulheres tropeçaram e bateram em cheio na maçaneta da porta.”

“Em 2010 3.701* crianças caíram das escadas várias vezes seguidas.”

As frases anteriores são algumas das mensagens presentes na campanha que a APAV vai inaugurar numa ação de rua, hoje, durante a hora de almoço, na estação de Metro do Marquês de Pombal, em Lisboa.

O Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres foi designado pela Organização das Nações Unidas em 1999. Este dia tem vindo a ser celebrado em todo mundo por entidades públicas e organizações não governamentais.

sábado, 19 de novembro de 2011

A Felicidade ....





“ A FELICIDADE EXIGE VALENTIA “

Recebi esta frase acima num email de uma amiga.
Palavras tão fáceis de dizer mas quantas pedras encontramos no caminho para fazê-la se tornar realidade. Sabe qual é aquela sensação, de que o que estamos a ler fomos nós, que alem de pensarmos já escrevemos? Ontem isso aconteceu comigo, por isso vos deixo aqui o texto “taliqualmente”!

A felicidade exige valentia ….

" Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritada algumas vezes mas, não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar de alguma maneira que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e os períodos de crise…. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a quem de direito, cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar bem e mal de si mesma. É ter coragem para para ouvir e engolir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo-as todas, e um dia irei construir um castelo..."

O autor segundo o remetente do email foi Fernando Pessoa, mas como tudo da internet fica em dúvida….. não tem importância nenhuma. O que aqui ficou escrito assino por baixo e junto-me com quem criou o texto.

Guarde as pedras sejam quais forem. Construa “castelos” em qualquer altura da sua vida. Mas vá, ande, caminhe sempre em frente, e sempre VALENTE consigo mesmo !!!!!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Amigo é alguem que nos cativa .......




Lá vai mais um recadito !!! quanto à imagem para ilustrar o texto é linda!!!

Por vezes sentimos uma afinidade tão grande por pessoas, mesmo sem as conhecermos bem que nem dá para explicar … e outras vezes sentimos uma repulsa instintiva, sem termos motivos para isso. Depois há aquelas pessoas que conhecemos bem, sabemos que fazem asneiras constantemente dão desilusões, mas mesmo assim continuamos a gostar delas… E outras que, por melhores que sejam, não conseguimos simpatizar minimamente.....

A amizade advém sobretudo de pontos de vista em comum, mas por vezes acontece também com pessoas que têm um modo de ver o mundo completamente diferente de nós.

Como diz Saint-Exupéry no seu “Principezinho”, amigo é alguém que nos cativa… e isso nem sempre tem (ou precisa de) explicação…

sábado, 12 de novembro de 2011

Este poema é meu !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!



Não faço a mínima ideia quem é o autor deste poema, ( penso que não foi escrito por quem os deu !! )só sei que, foi um poema que o meu primeiro namorado me ofereceu juntamente com um colar com umas pedrinhas verdes, que ainda hoje conservo com todo o carinho ... chamava-se Rui !!!


Olhos Verdes .....

São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança,
Uns olhos por que morri;
Que ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte,
Diz uma — vida, outra — morte;
Uma — loucura, outra — amor.
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração;
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São uns olhos verdes, verdes,
Que podem também brilhar;
Não são de um verde embaçado,
Mas verdes da cor do prado,
Mas verdes da cor do mar.
Mas ai de mim!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como se lê num espelho,
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas ai de mim
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós, ó meus amigos,
Se vos perguntam por mim,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos cor de esperança,
De uns olhos verdes que vi!
Que ai de mim!
Nem já sei quem fiquei sendo
Depois que os vi ....

Dizei vós: Triste do bardo!
Deixou-se de amor finar!
Viu uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos da cor do mar:
Eram verdes sem esp'rança,
Davam amor sem amar!
Dizei-o vós, meus amigos,
Que ai de mim!
Não pertenço mais à vida

Tão lindo !!!!!

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Castnhas, castanhas ....



As castanhas são os aquénios (geralmente três) do ouriço, o fruto capsular epinescente do castanheiro-da-europa (Castanea sativa). Presume-se que a castanha seja oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso, acompanhando a história da civilização ocidental desde há mais de 100 mil anos. A par com o pistácio, a castanha constituiu um importante contributo calórico ao homem pré-histórico que também a utilizou na alimentação dos animais.

Os gregos e os romanos colocavam castanhas em ânforas cheias de mel silvestre. Este conservava o alimento e impregnava-o com o seu sabor. Os romanos incluíam a castanha nos seus banquetes. Durante a Idade Média, nos mosteiros e abadias, monges e freiras utilizavam frequentemente as castanhas nas suas receitas. Por esta altura, a castanha, era moída, tendo-se tornado mesmo um dos principais farináceos da Europa.

Com o Renascimento, a gastronomia assume novo requinte, com novas fórmulas e confecções. Surge o marron glacé, passando de França para Espanha e daí, com as Invasões Francesas, chega a Portugal.

A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Mas, embora seja uma semente, como as nozes, tem muito menos gordura e muito mais amido (um hidrato de carbono), o que lhe dá outras possibilidades de uso na alimentação. As castanhas têm mesmo cerca do dobro da percentagem de amido das batatas. São também ricas em vitaminas C e B6 e uma boa fonte de potássio. Consideradas, actualmente, quase como uma “guloseima” de época, as castanhas, em tempo idos, constituíram um nutritivo complemento alimentar, substituindo o pão na ausência deste, quando os rigores e escassez do Inverno se instalavam. Cozidas, assadas ou transformadas em farinha, as castanhas sempre foram um alimento muito popular, cujo aproveitamento remonta à Pré-História.

Fonte: Wikipédia

Don Juan ....


Tela de Virginia Palomeque

A ORIGEM DO BEIJO

O dia 13 de Abril é o dia do Beijo. Procurar informações sobre a origem desta data é dificil. Muitas teorias existem sobre a origem do beijo, entretanto nenhuma delas é confirmada como sendo verdadeira, mas escolhi a que gostei mais. Reza a lenda que uma se dá na Itália, onde existia um tal de Enrique Porchelo. O "Dom Juan" beijava todas as mulheres da vila, inclusive as casadas. No dia 13 de abril de 1882, o padre local, injuriado, ofereceu pagar um prémio em moedas de ouro às mulheres que não haviam ainda sido beijadas pelo senhor. Nenhuma mulher apareceu para receber o prémio. O padre morreu e o dinheiro continua por lá, algures ….

A palavra beijo vem do latim, basium, e o acto de beijar possui relatos de sua existência desde 2.500 anos a.C., em desenhos nas paredes de templos na Índia. Na Antiguidade, gregos e romanos utilizavam muito o beijo como significado de reconhecimento entre as classes sociais. Sabia que existem 484 formas de beijar? É o que afirma Pedro Paulo Carneiro, autor do "Dossier do Beijo", Para beijar, o ser humano movimenta 29 músculos (12 dos lábios e 17 da língua). Um beijo pode repassar 250 vírus e bactérias diferentes. Ah! Os beijoqueiros sofrem menos de doenças do aparelho circulatório, do estômago e da vesícula. Diminuem também os casos de insónia e de dores de cabeça. Talvez com este esclarecimento entenda, a partir de agora, o motivo de alguns de seus problemas!!!!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Não faço planos ...






Não faço planos e cultivo menos as recordações. Já não guardo muitos papéis, nem adianto muito os meus serviço ( quaisquer que sejam ). Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve lindamente, normalmente alcanço os seus limites com as mãos, e é nele que me instalo e vivo com a integridade que me é possível. Canso-me muito menos, mas divirto-me muito mais, e não perco a " fé " em poder constatar sempre o óbvio; porque tudo é efemero, inclusivemente nós....

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Jorge de Sena faria hoje se fosse vivo 92 anos ...



Parabens Jorge se Sena ..


Como Queiras, Amor...
Como queiras,
Amor, como tu queiras.
Entregue a ti, a tudo me abandono,
seguro e certo, num terror tranquilo.
A tudo quanto espero e quanto temo,
entregue a ti, Amor, eu me dedico.

Nada há que eu não conheça, que eu não saiba,
e nada, não, ainda há por que eu não espere
como de quem ser vida é ter destino.

As pequeninas coisas da maldade, a fria
tão tenebrosa divisão do medo
em que os homens se mordem com rosnidos
de malcontente crueldade imunda,
eu sei quanto me aguarda, me deseja,
e sei até quanto ela a mim me atrai.

Como queiras, Amor, como tu queiras.
De frágil que és, não poderás salvar-me.
Tua nobreza, essa ternura tépida
quais olhos marejados, carne entreaberta,
será só escárneo, ou, pior, um vão sorriso
em lábios que se fecham como olhares de raiva.
Não poderás salvar-me, nem salvar-te.
Apenas como queiras ficaremos vivos.

Será mais duro que morrer, talvez.
Entregue a ti, porém, eu me dedico
àquele amor por qual fui homem, posse
e uma tão extrema sujeição de tudo.

Como tu queiras, meu Amor, como tu queiras.

Jorge de Sena, in 'Post-Scriptum'
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