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domingo, 18 de abril de 2010




Ao meu muito sentido e desejado 25 de Abril...


Muitas pessoas ficam arrepiadas quando ouvem a palavra " 25 de Abril " e também padecem de um mal que é a memória curta... mas nós a nossa faixa étaria não, nunca podemos dizer mal do 25 de Abril, independentemente da situação presente estar bem, mal ou muito mal, nunca será pior do que antes do 25 de Abril, só um pequenino exemplo,a liberdade de expressão, eu nunca poderia ter acesso a um blog nem podia escrever o que me apetecia, enfim se fosse citar aqui o que não podíamos fazer, nunca mais acabava de escrever... .

... um pequeno poema sobre a Liberdade, com um pouquinho de desilusão à mistura mas com força para continuar a lutar sempre para que a nossa Liberdade nunca morra..


PARA QUE TU, LIBERDADE...


Cresci a sonhar contigo, tu sabes,todo os dias
com a pressa ansiosa dos amantes,

, sem descanso ou desalento,

imaginando a claridade do teu olhar sereno
o rumor da tua voz marinha,

o embalo de onda do teu sono de menina.

Um dia chegaste e ergueste a tua casa

na mansa vizinhança dos meus sonhos,

paredes meias com o esplendor dos cravos.

Partilhei contigo o alpendre das estrelas

onde os meus filhos brincaram e cresceram,
onde eu brinquei com os búzios e as sombras

e te prometi fidelidade eterna,

como no fogo das paixões maiores.

Ambos envelhecemos desde então,

dorso arqueado pelo peso

do mais amargo desencanto,

sem renunciarmos à felicidade

que um dia prometemos um ao outro.

Fomos nós que envelhecemos

ou foi a alegria que se exilou do nosso olhar?

Foi Abril que perdeu o fulgor primordial

ou fomos nós que deixámos de o merecer,

luz fugidia a escapar por entre os dedos ?

Amanhã acordarás numa cama de pétalas,

imitando a límpida música das fontes,

e eu estarei contigo, como quem renasce,

para que tu, Liberdade, não morras nunca

de tristeza ou abandono nos meus sonhos.





in José Jorge Letria



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