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sábado, 23 de maio de 2015

Para ser grandes , primeiro temos que aprender a ser pequenos ....



A conversa começava sempre à tarde e terminava quase na hora do jantar. Tínhamos tempo! Coisa rara hoje em dia! E as idas ao banco? Antes, sem internet nem multibanco, conhecíamos os funcionários e os tratávamos com a dignidade e o respeito que mereciam. A mesma coisa com o padeiro, com o motorista do autocarro e com o carteiro. As nossas relações e nossa vida eram mais artesanais e mais elaboradas, como a receita do bolo feita em casa tem sempre um sabor mais agradável.
Relações que eram cultivadas, regadas e alimentadas com respeito. Bem sei que com a evolução, hoje muito facilmente se sabe o que vai acontecendo com a humanidade. E isso é uma cosa boa!!
Mas, a era industrial e tecnológica parece ter-nos transformado em máquinas. Nas filas as pessoas ficam impacientes, o clima por vezes torna-se  hostil e não há gentileza nem troca. Aquele bom-dia sem olho no olho que não é bom nem para quem dá nem para quem ouve. Não ouvimos o outro. Não olhamos o outro. Andamos solitários, massacrados  e reduzidos a quase nada.
Os sorrisos tornaram-se obrigações de cordialidade. Sorrisos de quem não quer sorrir.
A doença da modernidade e que atinge milhões é a “crise da impaciência adquirida”. Pés inquietos, unhas roídas e dedos nervosos nos jogos de telemóveis, iphods , e por aí fora….
Doença triste, silenciosa, mata sem que se percebam. E mata não somente o doente, mas também o alvo no momento da sua crise. A crise ocorre no trânsito, numa fila qualquer, no aeroporto e é altamente contagiosa nos grandes centros. Já tornou uma epidemia que se alastra por todo o mundo.
O Buda já dizia que “ a paciência é uma das mais altas virtudes”, uma dica velha que se faz urgente para essa epidemia que acomete a população mundial.
Esquecemos que a experiência sagrada da vida se faz a cada instante, como diz genialmente Leonardo Boff: “A experiência do mistério não se dá apenas no êxtase, mas também, quotidianamente, na experiência de respeito diante da realidade e da vida.”
A mística não é o privilégio de alguns bem-aventurados, mas de uma dimensão da vida humana à qual todos têm acesso”. Como perceber o sagrado se estamos tão envolvidos com pequenas coisas do quotidiano que nos aprisionam? É na simplicidade que nos encontramos e podemos partilhar a plenitude do Universo.
Talvez pratiquemos unicamente para sermos humanos no significado mais profundo que esta palavra pode ter. Talvez, para curar a complexidade e ser simples. Talvez, para esculpir com o barro a vida com obras de amor, de paz, de generosidade e de tolerância. Talvez, para que possamos olhar nos olhos quando falamos com alguém. Talvez, para que o sorriso seja de franqueza. Talvez, para nos libertar do vago sentido. Talvez, para dar sabor mais agradável à vida, como o tal do bolo feito em casa.

Ou quem sabe, para comungarmos o ideal de um mundo mais justo. Talvez, para que nossos encontros engrandeçam a nossa jornada.

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