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domingo, 8 de junho de 2014

Fecho eclair ....




Filipe II tinha um colar de oiro
tinha um colar de oiro com pedras
rubis.
Cingia a cintura com cinto de coiro,
com fivela de oiro,
olho de perdiz.


Comia num prato
de prata lavrada
girafa trufada,
rissóis de serpente.


O copo era um gomo
que em flor desabrocha,
de cristal de rocha
do mais transparente.


Andava nas salas
forradas de Arrás,
com panos por cima,
pela frente e por trás.


Tapetes flamengos,
combates de galos,
alões e podengos,
falcões e cavalos.

Dormia na cama
de prata maciça
com dossel de lhama
de franja roliça.


Na mesa do canto
vermelho damasco
a tíbia de um santo
guardada num frasco.

Foi dono da terra,
foi senhor do mundo,
nada lhe faltava,
Filipe Segundo.

Tinha oiro e prata,
pedras nunca vistas,
safira, topázios,
rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo
sem peso nem conta,
bragas de veludo,
peliças de lontra.

Um homem tão grande
tem tudo o que quer.

O que ele não tinha
era um fecho éclair.


(António Gedeão)

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