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segunda-feira, 29 de março de 2010

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Um desentendimento maravilhosamente descrito
pelo o poeta.....
Afirmas que brigámos, que foi grave.
Que o que dissemos já não tem perdão
Que vais deixar a tua chave
E vais à cave içar o teu malão.
Mas como destrinçar os nossos bens?
Que livro? Que lembrança? Que papel?
Os meus olhos, bem vês, és tu que os tens.
Não te devolvo - é minha - a tua pele.
Achei ali um sonho muito velho, não sei se o queres levar, já está no fio.
É o teu casaco roto, aquele vermelho
Que eu costume vestir quando está frio?
E a planta que eu comprei e tu regavas?
E o sol que dá no quarto de manhã?
É meu o teu cachorro que eu tratava?
É teu o meu canteiro de hortelã?
A qual de nós pertence este destino?
Este beijo era meu? Ou já não era?
E o que eu faço das praias que já não vimos?
Das marés que estão lá à nossa espera?
Dividimos ao meio as madrugadas? E a falésia das tardes de Novembro?
E as sonatas que ouvimos de mãos dadas? De quem é esta briga? não me lembro.
Rosa Lobato de Faria
(livro "arvore de letras)


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